29/07/2010 • 08:49 MM

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As famílias e as empresas têm cada vez mais dificuldades em aceder ao
financiamento bancário em Portugal. No segundo trimestre do ano, um
período que coincidiu com o auge da crise da dívida soberana nos países
periférios do euro, os bancos depararam-se com crescentes perturbações
no acesso aos mercados de financiamento. A factura acabou por ser paga
pelos clientes, que viram a banca aumentar as restrições à concessão de
crédito, invertendo a tendência de desagravamento que vinha a sentir-se e
pondo assim mais entraves à recuperação da economia. Estas são as principais conclusões do inquérito aos bancos sobre o
mercado de crédito, conduzido pelo Banco Central Europeu (BCE) em 120
instituições financeiras da Europa. No caso português, o Banco de
Portugal questionou cinco grupos bancários, que reconheceram estar a
passar para os clientes o impacto da deterioração no acesso aos mercados
e o aumento do custo de capital. O aumento dos spreads aplicados e a
exigência de outras condições contratuais são a face mais visível disso.
No
resto da Europa, o cenário é o mesmo, mas com uma diferença: enquanto
em Portugal aumentam as restrições tanto para as famílias como para as
empresas, os bancos europeus só reforçaram as exigências para com o
mundo dos negócios. Segundo o BCE, o número de instituições a apertar as
condições de concessão de crédito às empresas disparou para 11 por
cento, face aos três por cento do primeiro trimestre. [...] Público |