21/07/2010 • 16:04 MM

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O escritor José Saramago, falecido em junho, foi condenado em abril por um tribunal espanhol a pagar 717.651 euros de impostos, alegando ser em Espanha a sua residência fiscal, afirmou à Lusa o seu advogado, que vai recorrer da sentença.
“Estamos a preparar o recurso para o tribunal Supremo, pois defendemos que o centro de interesses vitais e económicos de Saramago é em Portugal, onde sempre apresentou as suas declarações ficais”,
disse o advogado Andrés Sanchez, sócio da sociedade de advogados
ibérica Cuatrecasas – Gonçalves Pereira, adiantando que o recurso vai
ser entregue “em breve”.
A 21 de abril, dois meses antes da morte do Prémio Nobel, a 18 de
junho, um acórdão daquele tribunal superior espanhol (“Audiência
Nacional”) condenou José Saramago a pagar ao Tesouro de Espanha impostos
relativos aos anos fiscais 1997, 1998, 1999 e 2000, no valor de
171.651,78 euros.
Este tribunal rejeitou assim um recurso
contra uma decisão anterior, de 2008, do Tribunal Central
Administrativo que considerou que o escritor tinha a sua residência
permanente em Espanha, no município de Tias (Lanzarote) e, portanto, devia prestar contas ao tesouro espanhol e não ao português.
“A rutura de Saramago com o governo
português em 1993 não significou o rompimento dos laços vitais e
económicos que o uniam ao território português”, defendeu o advogado
Andrés Sanchez, lembrando que Saramago sempre
considerou que, por referência à sua pessoa, se verificavam as
circunstâncias necessárias para ser considerado residente em Portugal
para efeitos fiscais. [...] Ionline
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