08/07/2010 • 08:32 MM

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Oito países da União Europeia (UE) foram confrontados nos últimos dez
anos com processos no Tribunal de Justiça europeu (TJ) contra golden
shares ou outras intervenções do Estado em empresas privatizadas, mas só
a Bélgica foi até agora autorizada a manter essa situação, no sector da
distribuição de gás por razões de segurança pública.
Todos os restantes países - Portugal, Espanha, França, Alemanha,
Holanda, Itália e Reino Unido - foram condenados pelo TJ a acabar com as
golden shares. Alguns demoraram a entrar nos eixos, o que lhe valeu
novos processos de infracção ao direito comunitário - livre circulação
de capitais e direito de estabelecimento - abertos pela Comissão
Europeia (CE), que poderão desembocar em novas condenações e multas
elevadas.
Portugal teve em Junho de 2002 a lei quadro das
privatizações condenada pelo TJ, mas demorou vários anos a entrar nos
eixos: antes disso António Guterres ainda utilizou um dos decretos de
aplicação da lei que instituía uma obrigação de autorização prévia do
ministro das Finanças para a aquisição de mais de 10 por cento do
capital de empresas da banca, seguros, energia e transportes.
Foi
ao abrigo deste decreto que o então ministro das Finanças, António
Sousa Franco, vetou a entrada do Banco Santander Central Hispano (BSCH)
no capital do grupo Champalimaud. Este veto provocou o maior
braço-de-ferro de sempre entre Lisboa e Bruxelas, e a abertura de mais
três processos de infracção que acabaram por ser arquivados pelo facto
de o Governo ter aceite uma trégua alterando a legislação incriminada. [...] Público |