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news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO - Cooperação, reputação, rumores e factos

De acordo com um estudo, a influência dos rumores, intrigas ou fofocas são mais importantes que os factos na hora de formar uma opinião sobre alguém.

Os rumores sobre uma pessoa podem destruir a sua reputação, por isso, na maioria dos casos, não têm nenhum valor positivo.

A questão é saber por que se levam em conta ou se estamos de alguma maneira condicionados para crer nos rumores.

Muitos problemas das sociedades humanas, como a sobreexploração das reservas pesqueiras ou os abusos no sistema de bem-estar, são a representação viva de um erro no sistema de cooperação.

Inclusive alguns dos conflitos que existem entre o interesse geral da sociedade e o interesse do indivíduo poderiam ser uma ameaça para a sobrevivência da humanidade, como no caso do consumo dos combustíveis fósseis e o problema da mudança climática que isto pressupõe.

O ser humano é um ser social e ao longo de milhões de anos de evolução biológica e cultural dotamo-nos de mecanismos que ajudam a melhorar a cooperação entre as pessoas, mesmo que às vezes não funcionem bem. Iniciou-se agora a sua análise.

Os investigadores já mostraram que há factores que aumentam a nossa disposição em cooperar, de tal modo que castigamos aqueles que exploram os recursos públicos em seu benefício pessoal e recompensamos aqueles com boa reputação.

O interessante, do ponto de vista de uma perspectiva política, seria saber se a extensão efectiva do mecanismo de reputação e sanção pode redundar num aumento da cooperação e se estes mecanismos são sempre justos e suficientes.

Para estudar experimentalmente estes dilemas sociais utilizam-se jogos ou experiências muito interessantes que exploram, de maneira objectiva, os mecanismos psicológicos envolvidos na cooperação humana.

Na configuração básica pede-se aos jogadores participantes (que jogam com dinheiro real colocado à disposição pelos investigadores) que contribuam, em cada ronda, com um donativo para um fundo comum de todos os jogadores.

O investigador duplica a quantidade desse fundo em cada mão e reparte o resultado em partes iguais entre os participantes e independentemente da sua contribuição. Obviamente que se um jogador contribui menos que os outros sairá a ganhar mais que os seus companheiros, portanto, esta opção será uma tentação para todos os jogadores, começando pelos mais egoístas.

Mesmo que estes jogos comecem de maneira cooperativa (todos contribuem), depois de algum tempo aparecem condutas egoístas que terminam com uma contribuição nula para o fundo comum. Digamos que o egoísmo ganha e a cooperação fracassa, apesar da cooperação proporcionar mais ganhos para todos.

O jogo pode tornar-se mais sofisticado se for dado aos jogadores a oportunidade de castigar economicamente os que não cooperam, mesmo que isso custe dinheiro pessoal a quem castiga. Neste palco os jogadores tenderão a cooperar passado algum tempo para evitar o pagamento de castigos e multas.

É concebível que se possa conseguir um alto nível de cooperação com um número reduzido de castigos se os participantes têm oportunidade de construir uma boa reputação, ganhando prestígio pessoal através do seu comportamento.

Segundo o “dá e receberás” os indivíduos que tiverem apoiado os outros no passado receberão apoio dos outros. Para desfrutar deste tipo de reciprocidade indirecta é importante construir-se um bom status ou prestígio. Ao mesmo tempo, os jogadores não cooperativos são castigados, ficando sem apoio, ao ter “má fama” ou má reputação.

Sobre esta base, e neste tipo de situações, esperar-se-ia que o castigo, ao ser penoso para todos, não se aplicasse depois já que é possível adquirir-se boa reputação ao contribuir generosamente com dinheiro para o fundo comum através de numerosas mãos ou rondas no jogo. Em suma, é bem melhor contribuir do que ser sancionado.

Em consequência, como as sanções saem caras para o sancionado e para o sancionador, esperar-se-ia que depois de algum tempo surgisse um alto nível de cooperação, uma vez que os participantes aprendem a dinâmica do jogo sob estas circunstâncias.

O que se passa então se neste tipo de jogos se dá a oportunidade de construir uma reputação? Substituirá a reputação as sanções? Será sempre justo?

No passado os cientistas realizavam esta experiência dando aos participantes a opção de escolher, em cada ronda, entre pertencer a um grupo onde pudessem aplicar sanções e construir uma reputação ou pertencer a um grupo onde só era possível construir-se uma reputação.

Noutro tipo de experiência dava-se-lhes a opção de escolher entre um grupo onde só era possível castigar e outro no qual era possível construir uma reputação e poder sancionar.

Mesmo que num primeiro momento os participantes escolhessem outra opção, à medida que o jogo avançava, mais jogadores se passavam para o grupo onde era possível castigar e também construir uma reputação (nos dois tipos de experiências).

Com o desenvolvimento do jogo, o grau de cooperação aumenta e nas poucas ocasiões em que aparece o comportamento egoísta, este é severamente castigado.

Temos já a solução para os problemas de cooperação entre as pessoas, grupos sociais e estados? É tudo tão simples?

O sistema baseado na reputação não é tão perfeito, como o senso comum pode facilmente imaginar. Como se constrói uma reputação?

Geralmente cria-se a partir da informação disponível. Ou através dos factos que conhecemos directamente ou através do que os outros dizem. Não nos esqueçamos que são os outros que criam a reputação de alguém, mesmo que este faça o que estiver ao seu alcance para a obter.

Em estudos anteriores pôde comprovar-se que as pessoas tendem a ter mais em conta uma informação que vem de alguém com a mesma idade e género. Além disso viu-se que somos mais inclinados a transmitir informação negativa de pessoas de alto status social, enquanto tendemos a transmitir informação positiva sobre os amigos.

Deste modo os rumores modelam a reputação das pessoas. Como a reputação ajuda a determinar se as pessoas cooperam entre si, os investigadores queriam saber como é que a fofoca afectava a opinião que se tem sobre os outros e como isso influi nas nossas acções.

Para estudar precisamente este aspecto um grupo de investigadores do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva de Plön (Alemanha) idealizou um sistema de jogo computorizado que proporcionou resultados surpreendentes (ou nem tanto).

Dispuseram grupos de nove estudantes à volta de uma mesa com computadores portáteis de tal modo que uns separadores proporcionavam um certo anonimato às suas decisões.

Em cada ronda os jogadores tinham que decidir se tinham que entregar uma certa quantia de dinheiro a outro jogador designado do grupo. Quando um jogador decidia dar dinheiro a outro jogador considerava-se que tinha cooperado.

À medida que o jogo evoluía, os jogadores mudavam de parceiro e iam qualificando os outros segundo o grau de cooperação. A apreciação sobre os outros jogadores iam desde “jogador generoso” a “avaro e asqueroso”. Mais tarde eram os investigadores que introduziam este tipo de qualificações (não necessariamente verdadeiras) junto dos jogadores para simular a fofoca.

O estudo revela que quando forneciam aos jogadores os registos reais de como o seu parceiro de jogo tinha jogado anteriormente e os comentários dos outros sobre ele, no meio dos quais se encontravam os introduzidos pelos investigadores e que às vezes eram falsos, tendiam a acreditar mais nas fofocas que nos factos, na hora de decidir se cooperavam ou não.

Portanto um mexerico, logo que intencionado, podia dar a um traste um bom histórico de generosidade.

É como se a informação proporcionada pelos outros fosse mais valiosa que os factos ou que esta informação fosse mais fácil de avaliar que os próprios factos.

Por um lado, os rumores contribuem para construir uma reputação que ajuda a tomar decisões de cooperação e esta faz com que as relações humanas sejam mais justas para efeitos cooperativos.

Mas, por outro lado, é fácil arruinar injustamente a reputação de alguém se a preguiça de nos basearmos em rumores nos impede de ver os factos objectivos. As pessoas podem, portanto, estar a ajustar a sua visão do mundo pela percepção que os outros têm dele.

Outros investigadores referem que a cooperação é muito mais complicada no mundo real que neste tipo de jogos. No mundo real é importante reconhecer a presença de diferenças de poder, já que a opinião de umas pessoas é mais importante que a de outras e portanto as suas consequências são diferentes. Nas situações reais há, além disso, outros factores.

Costuma haver mais de uma fonte de informação e as pessoas frequentemente sabem se a fonte é fiável ou não. Além disso o rumor mal intencionado é uma arma de dois gumes que pode destruir a reputação de quem o divulga.

Ocorre-lhe algum âmbito onde possam aplicar-se estes resultados? Seguramente que sim.



Criado em: 26/10/2007 • 08:44
Actualizado em: 26/10/2007 • 08:53
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO


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