Menu
Qui Quae Quod

Fechar Responsabilidade Social Corporativa

Fechar ARTIGOS DE OPINIÃO

Fechar Justiça Restaurativa

Fechar Multiculturalismo

Fechar Dossier Europa

Fechar ARTIGOS DE FUNDO

Fechar ARTIGOS DE FUNDO II

Fechar ARTIGOS DE FUNDO III

Fechar TENDÊNCIAS 21

Fechar CIBERDIREITOS

Fechar No gesto da procura

Fechar Os erros do ditado

Fechar Para ler e deitar fora

Fechar O canto dos prosadores

Fechar UTILITÁRIOS

Fechar Apresentações

Fechar Barra JURIS

Fechar CANCIONEIRO de Castelões

Fechar Coisas e loisas da língua portuguesa

Fechar DIVULGAÇÃO DE LIVROS

Fechar Delitos Informáticos

Fechar Encontros

Fechar JURISPRUDÊNCIA

Fechar Livros Maravilhosos

Fechar MANUAL DE REQUERIMENTOS

Fechar NeoFronteras

Fechar Nova Lei das Rendas

Fechar O canto dos poetas

Fechar Vinho do Porto

Fechar Workshops

Relax
Pesquisar



Visitas

   visitantes

   visitantes online

PREFERÊNCIAS

Voltar a ligar
---

Nome

Password


SOS Virus

Computador lento?
Suspeita de vírus?
Fora com eles!
AdwCleaner

tira teimas!
--Windows--

Já deu uma vista de olhos pelas gordas de hoje?


Desde 2004
news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO - Um colégio sem exames

O Planeta Colorido é o mais próximo do Sol. A sua esfera está sulcada por manchas verdes, azuis e violetas. Nem se derrete nem se deforma pelo calor. "E não gira", explica Samuel, seu descobridor. Este inventor de objectos celestes, que mal se ergue metro e meio do chão, tem seis anos. Com um pau numa mão e a outra cheia de terra e pintura, participa nas tarefas do dia.

Na quarta-feira passada a esplanada do colégio Trabenco, no município madrileno de Leganés, era um ir e vir de crianças com cartazes, pinturas, globos e adesivos... Faltavam apenas umas horas para terminar um planetário que construíram entre os alunos dos acampamentos de verão como projecto da semana.

Trabenco, com 191 alunos de 3 a 12 anos, é mais um dos centros escolares que continuam abertos em Julho para actividades extra-escolares. Mas em muitos aspectos é único. Neste colégio, aberto há 35 anos, não se aprende com livros de texto oficiais nem os estudantes são submetidos a exames.

As crianças fazem os seus próprios livros, trabalhos escritos a lápis, com desenhos e fotografias sobre a vida, a antiga Roma, o corpo humano... ou qualquer tema que sugiram os estudantes. É o único centro, segundo a Secretaria da Educação, que não se apresentou ao exame obrigatório marcado para o passado dia 29 de Maio pela Comunidade de Madrid.

Participaram os 56.000 alunos do sexto ano da primária da região. O seu nome oficial é Prova de Destrezas e Conhecimentos Indispensáveis. O exame foi realizado para "conhecer o nível escolar dos madrilenos antes de começar a secundária". Três em cada dez alunos não concluíram a prova.

Em Trabenco retiram importância a isso. "Não nos serve um exame que só se fixa nos conteúdos; aqui a avaliação é contínua e não queremos fazer um ranking", assegura a directora do centro, Amaia Urriz, que também é mãe de antigos alunos. Mas esclarece também que os professores não a rejeitaram. A lei obriga. "Assim o decidiram os pais", assegura. "Nenhum aluno do sexto ano compareceu nesse dia às aulas".

Todas as salas de Trabenco têm um espaço livre para realizar assembleias. À segunda-feira a semana começa com uma assembleia para decidir, entre todos, os conteúdos. E à sexta-feira é realizada outra onde os alunos reflectem sobre o andamento dos projectos. "Eles mesmos dão conta do que se fez bem ou mal ou do que falhou; isso é importante", acrescenta Urriz.

As aulas arrancam com meia hora de leitura; cada aluno escolhe o seu livro. No sábado, 2 de Junho, mudaram a leitura para o parque da Retirada para protestar contra a Secretaria de Educação. Sustentam que a Comunidade de Madrid pretendia mudar os professores e eliminar a meia hora de leitura das manhãs, segundo explicou Jesús Ramé, pai e ex-aluno. "Não gostaram que rejeitássemos o exame do sexto, mas agora voltamos à negociação e parece que em Setembro nos deixarão em paz". Um porta-voz da Secretaria da Educação confirmou que o centro e a Secretaria estão em conversações "há uma semana", e destacou "a vontade de ajudar e a boa sintonia" entre as partes. Mas "por enquanto não se firmou nenhum acordo", acrescenta. Veremos no próximo curso.

No verão as salas permanecem fechadas. As cadeiras empilhadas sobre as carteiras, o chão varrido, as paredes sem desenhos. Dezenas de livros amontoam-se nas estantes. São trazidos pelos pais, professores e pelos próprios alunos. Entre eles, há livros de texto de diferentes editoras. "Vê? Não é que não tenhamos livros de texto, mas não usamos só livros de texto", acrescenta Ramé.

A directora mostra com especial orgulho os exemplares feitos pelos alunos, como um sobre Roma que foi feito no curso passado pelos miúdos de seis anos. Organizaram-se em grupos de três para investigar como viviam, o que comiam, como se vestiam. O resultado é um trabalho encadernado com argolas de aproximadamente cinquenta páginas. Inclui fotos dos participantes sobrepostas sobre desenhos de túnicas e botas com cordões. Cada menino levará uma cópia para casa. O original fica no centro. "Serve-lhes de guia de consulta para aprofundar o tema ou para os anos seguintes", explica Urriz.

Em Julho, a actividade passa para o pátio. As mesas, cadeiras, monitores e as crianças que participam nos acampamentos - há também alunos que vêm de outros centros - situam-se estrategicamente nos lugares com sombra. Trabenco quer dar a sensação de recreio. "Eles também necessitam descansar", explica a directora. E consegue-se.

Um grupo de alunos e alunas de 11 anos coloca os papelões do planetário, com cartolinas já coloridas e cheias de estrelas. Dizem que não estão "exactamente" na aula. "É uma mistura de aulas e férias, e é giro", assinala uma. "Não se trata só de saber e saber; vamos, que não é aborrecido", diz outra.

A um lado do pátio encontram-se ainda os restos do projecto arqueológico para estudar os iberos. Durante semanas, as crianças enterraram e desenterraram falsos vestígios para aprender outras civilizações. Numa esquina, quase escondido, o horto, com beringelas, cebolas, tomates e outras hortaliças. "Quando as apanhamos, vêm os pais e fazem uma paelha para todos", explica uma aluna.

A participação e a entrada de pais é outro dos pilares de Trabenco, onde as portas nunca estão fechadas. Eles colaboram nas excursões, nas explicações diárias, na escolha de temas e na elaboração de material. Na tarde de quarta-feira, os familiares tinham um encontro com os filhos para ver o planetário, um igloo de aproximadamente dois metros de altura montado sobre uma estrutura de cilindros coberta com papelões coloridos. Faltam alguns retoques. Como colar o corredor de paredes pretas e com forma de labirinto.

É quase a hora de almoçar e as monitoras do refeitório descascam pêssegos e maçãs para a sobremesa e põem os pratos. A alimentação é outro aspecto importante em Trabenco. "Aqui é proibido trazer bolicaos", acrescenta a directora. Na classe para crianças de três anos, cada aluno leva um dia a fruta para o pequeno-almoço de todos. "É uma boa forma para que aprendam a comer bem, a calcular quantidades e a partilhar", explica a directora.

Antes de se sentarem à mesa, surge uma preocupação. "O que vai acontecer ao planetário? Onde o vamos colocar?", perguntam as crianças. Um monitor receia que se estrague com a chuva ou que alguém possa queimar os papelões. Um das crianças agarra-se ao joelho da directora, que resolve a questão: "Vamos hoje apreciá-lo e depois veremos; o importante é o trabalho que fizemos e o que aprendemos".



Criado em: 24/07/2007 • 08:50
Actualizado em: 24/07/2007 • 09:04
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO


Imprimir Imprimir

Comentários

Ainda ninguém comentou.
Seja o primeiro!


  Amigos são aquelas pessoas raras que nos perguntam como estamos e depois ficam à espera da resposta
  
E. Cunningham
^ Topo ^