Menu
Qui Quae Quod

Fechar Responsabilidade Social Corporativa

Fechar ARTIGOS DE OPINIÃO

Fechar Justiça Restaurativa

Fechar Multiculturalismo

Fechar Dossier Europa

Fechar ARTIGOS DE FUNDO

Fechar ARTIGOS DE FUNDO II

Fechar ARTIGOS DE FUNDO III

Fechar TENDÊNCIAS 21

Fechar CIBERDIREITOS

Fechar No gesto da procura

Fechar Os erros do ditado

Fechar Para ler e deitar fora

Fechar O canto dos prosadores

Fechar UTILITÁRIOS

Fechar Apresentações

Fechar Barra JURIS

Fechar CANCIONEIRO de Castelões

Fechar Coisas e loisas da língua portuguesa

Fechar DIVULGAÇÃO DE LIVROS

Fechar Delitos Informáticos

Fechar Encontros

Fechar JURISPRUDÊNCIA

Fechar Livros Maravilhosos

Fechar MANUAL DE REQUERIMENTOS

Fechar NeoFronteras

Fechar Nova Lei das Rendas

Fechar O canto dos poetas

Fechar Vinho do Porto

Fechar Workshops

Relax
Pesquisar



Visitas

   visitantes

   visitantes online

PREFERÊNCIAS

Voltar a ligar
---

Nome

Password


SOS Virus

Computador lento?
Suspeita de vírus?
Fora com eles!
AdwCleaner

tira teimas!
--Windows--

Já deu uma vista de olhos pelas gordas de hoje?


Desde 2004
pin.gifARTIGOS DE OPINIÃO - O sexo das palavras

Por: Gil Teixeira


É sempre interessante discutir o sexo dos anjos, sobretudo para se concluir que é obrigatório concluir-se, que os ditos não têm sexo. Talvez por isso, por algum espírito de contradição, se tenha começado a discutir algo em que é possível o contrário, referimo-nos ao sexo das palavras. De facto já vai um pouco longe o tempo da nossa escola em que nos diziam que as palavras podem variar em número e em género, e todos nos lembramos que nas velhas «crónicas de bem dizer» o género foi substituído pelo sexo.

Naturalmente, não iremos discutir as causas dessa evolução morfológica, com certeza os filologistas terão as suas razões para justificar os seus pontos de vista, porventura algum contributo ou entreajuda aos seus pares das áreas de sociologia ou de antropologia. Admitimos que os aspectos formais da língua possam ajudar a uma maior assimilação do seu conteúdo material.

Também é admissível que quando nos referíssemos a uma juiz de um tribunal fizéssemos alguma confusão pelo facto daquela ser uma mulher. Em relação à ministro, porque são poucas, talvez passasse um pouco despercebido o sexo da mesma.

Portanto, pensamos, para se acabar de vez com todas as "confusões unissexuais" achamos por bem dar um sexo às palavras e o problema fica resolvido. E não se diga que por feminismo ou por qualquer outro fenómeno freudiano. Todos concordamos em que com esta intervenção linguística as situações ficaram mais claras, assume-se de pleno direito que as palavras, à imagem das pessoas, tenham de ter sexo. Talvez agora seja possível resolver o problema do terceiro sexo.

Sugere-se também que se acabe com os epicenos, os comuns-de-dois, e todas essas coisas complicadas. Só assim fará sentido dizer-se “aquela mulher é uma serpenta”.

Sem querer ferir susceptibilidades, deve dizer-se que em relação às Secretárias de Estado, a questão está há muito ultrapassada e pode ser comprovada nos anúncios dos jornais quando se pedem secretárias. Note-se que o órgão em si até é feminino, ou seja a Secretaria de Estado, o titular é que pode ter um outro sexo se não for transexual, como se compreende.

Assim e uma vez que aderimos à proposta do sexo das palavras gostaríamos de relatar aos telespectadoros e telespectadoras de todas as «Crónicas de Bem Dizer», a cena de que em tempos fomos protagonistos.

Num grande salão de espectáculos da capital encontravam-se vários assistentos que tinham sido convidados para um concerto de um pianisto. Era um homem muito eleganto, trajava um fato feito pelos melhores alfaiatos da cidade. Enquanto durava o concerto perguntava um dos assistentos a um seu confidento ao lado:

— Leste a crónica daquele articulisto?

— Qual, interrompeu o outro, o fundisto, aquele que é malabaristo com as palavras e até parece um equilibristo?

A confirmação não chegou a ouvir-se, porque nisto levantou-se um grau de burburinho ao fundo da sala, provocado por dois espectadoros que discutiam entre si algo que se não conseguia perceber.

De repente, as luzes apagaram-se e alguns impacientos, menos pacifistos, perdendo o aprumo, começaram a gritar:

— Onde está o electricisto?

Por fim, a luz volta à sala e as exclamações de espanto dos presentos sucederam-se. Alguém escrevera nas costas do pianisto esta frase:

— Agradece-se aos feministos que saiam da sala!

Com espírito, ouviu-se alguém perguntar na sala:

— E os poetos?


in "Diário de Lisboa" 25-3-86, e "Areal Editores - O tempo e a palavra", Gil Teixeira


LINHAS DE LEITURA

  1. Uma das características habituais da crónica é o facto de ser aguda, sem ser profunda.
    1. Comente a aplicação, ou não, desta característica ao presente texto.
  2. Refira os modos de expressão literária utilizados pelo autor deste texto jornalístico.
  3. Aponte a intenção do emissor ao escrever este texto.
  4. Comente a ironia e a subtileza com que o emissor apresenta e trata o assunto, servindo-se de exemplos do texto.

Criado em: 09/09/2005 • 03:20
Actualizado em: 09/09/2005 • 09:56
Categoria : ARTIGOS DE OPINIÃO


Imprimir Imprimir

Comentários


Comentário n°1 

dináh galeazzi 01/11/2006 • 03:12

achei o texto muito criativo, pena que eu não tive a ideia de questionar o sexo dos anjos antes do autor, agora se eu fizer serei processada por plágio. Todo mundo quer copiar ninguem quer criar, criar dá trabalho, pensar doi.confused

  Agora que o homem vai ao encontro das estrelas, porque não há-de ir ao encontro do seu vizinho?  Lyndon B. Johnson
^ Topo ^