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news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO - O país mais seguro do mundo

O país do sol da meia-noite, das sagas de vikings e da segurança sem Forças Armadas é uma revelação que aqui acontece em jeito de crónica corrida e de agradável leitura.

John Carlin viaja à Islândia por recomendação do capitão da selecção nacional islandesa, que entrou na lista de contratações do FC Barcelona. Um jogador atípico, procedente de um país atípico, que em 50 anos tem deixado de ser um dos mais pobres da Terra e está a fazer tantos investimentos no estrangeiro que os seus bancos estão a crescer mais que os de qualquer outro país.

A Islândia tem menos de 300.000 cidadãos e, que eu saiba, só um deles vive na minha cidade, Barcelona. Antes de ir à Islândia pensei que seria conveniente falar com ele, ver se podia dar-me algumas pistas, talvez sugerir pessoas a conhecer.

Disse-me que podíamos encontrar-nos no dia seguinte. Surpreendeu-me. Qualquer jornalista sabe que não existe ninguém mais difícil de convencer para uma entrevista que um jogador profissional de primeira. Políticos, escritores, actores, são fáceis. Jogadores, um pesadelo. É compreensível. O seu modus vivendi não é falar. É jogar e, no entanto, esperamos que sejam tão experientes com a linguagem como com a bola. Não costuma ser assim.

Eidur Gudjohnsen é a excepção à regra. A um montão de regras. Se lhe pusessem asas, seria um anjo. De rasgos excelentemente finos, cabelo loiro platina e mais magro do que parece na televisão, tem além disso o dom das línguas. Fala seis idiomas e o sétimo está em caminho.

"O espanhol parece fácil", diz, sem arrogância, como quem enuncia um facto. "Hei-de aprendê-lo em seguida".

Mostra-se franco, confiado, sereno. Tem orgulho de ser islandês e orgulha-se também de ser o capitão da selecção nacional islandesa.

- Mesmo que tenham perdido quase sempre? "Somos um país pequeno que se acha grande", explica ele em perfeito inglês. "Temos grandes ambições como nação e isso dá aos islandeses uma grande camaradagem. Eu vejo-a quando jogo na selecção nacional. Ser o capitão do meu país é maravilhoso. Podemos estar a perder, mas há sempre há espírito positivo, um punho no ar, a convicção de que podemos dar a volta ao marcador".

- Do que é que gosta da Islândia?
"O frescor do ar, um frescor que tem tudo. É incomparável. Gosto das 24 horas de luz natural no verão, em que posso começar uma partida de golfe à meia-noite e acabá-la às quatro da manhã. A comida é estupenda".

- A comida...?
"Magníficos restaurantes em Reikiavik, acredite!". E mais? “Gosto da paisagem. Quando volto a Reikiavik depois de uma temporada fora, vou a uma parte alta no centro da cidade e observo as montanhas ao redor e essa vista emociona-me sempre".

Mas o melhor - o melhor de tudo o que a Islândia tem para Gudjohnsen, um homem que, apenas com 28 anos, viajou por tudo quanto é sítio deste mundo - é o seguro que é.

"Tenho dois filhos pequenos, de quatro e oito anos. Quando estou no meu país, as crianças podem sair de casa, posso não vê-las durante 10 horas e ter a absoluta certeza que não lhes vai acontecer nada".

Suponho que os adultos também, sugiro, pensando que a Islândia está absolutamente afastada da loucura terrorista que aflige o mundo, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, um país que tem água corrente. Electricidade e Internet de banda larga. "O melhor da Islândia", insiste Gudjohnsen com paixão, "é que é o lugar mais seguro do mundo".

E não só o mais seguro, mas, segundo Victoria Abril, o melhor. Conto a Gudjohnsen que li há pouco um breve artigo de revista no qual a actriz espanhola dizia, depois de rodar ali um filme chamado 101 Reiquejavique, que a Islândia era um país tão exemplar que os chefes de Governo de todos os países do mundo deveriam ir passar ali umas semanas para ver como é uma sociedade ideal. O jogador mais famoso da história do futebol islandês levanta o sobrolho e sorri, como que reconhecendo que sim, não achando disparatada a ideia.

Uma última questão antes de me despedir dele. Pode sugerir-me algumas pessoas para entrevistar? Talvez velhos amigos seus, vizinhos, gente do mundo do futebol ou outros que possam ajudar a dar-me uma visão razoavelmente exaustiva do que faz com que a Islândia seja a Islândia.

"Sabia que ia a perguntar-me isso - diz, mas a verdade é que só há uma pessoa".

Só uma? "Uma, sim, uma pessoa que tenho a certeza que lhe vai proporcionar tudo o que necessita".
E quem é? "A minha mãe". A sua mãe? "Sim, a minha mãe".

Durante as quatro horas de voo preparo o meu encontro com a mãe de Gudjohnsen, cujo número de telemóvel o jogador me deu, lendo um pouco sobre o seu país.

- A Islândia é o único país da NATO que não tem Forças Armadas, já que foram abolidas no século XIII.

- Só uma ínfima parte dos 679 policias do país – uma unidade de crise chamada Os Vikings - usa armas; o índice anual de assassinatos é inferior a cinco e a soma total da população prisional é 118.

- A Islândia tem a maior densidade de telemóveis per capita do mundo e três quartos da população estão ligados à Internet.

- A mortalidade infantil é a quinta mais baixa do mundo e a expectativa de vida é só inferior à de outros 10 países, entre os 226 do planeta.

- Reykiavik é a capital mais setentrional do mundo e a Islândia está mais ao norte que a maioria do Alasca, mas, mesmo que os invernos sejam escuros, a temperatura é mais suave que a de Nova York.

- A Islândia presume ter o Parlamento mais antigo do mundo, o Althing, fundado em 930.

- Todos os lares têm água quente gratuita por cortesia da natureza, graças aos passadiços subterrâneos de tipo vulcânico; em nenhum outro país há registo de tantas erupções vulcânicas e possui 33 vulcões.

- A Islândia (que tem o tamanho da Inglaterra) é o sétimo dos países menos densamente povoados do mundo (o primeiro é a Mongólia) e o número 25 na lista de países menos habitados (o primeiro lugar é o Vaticano).

- A percentagem de terra arável é de 0,07; a percentagem coberta de glaciares: 12.

- O país para onde mais exporta é o Reino Unido; em quinto, a Espanha (pescado).

- A Islândia legalizou o casamento gay em 1996.

- Não existe a educação privada nem cuidados de saúde privados: os serviços públicos são tão bons que aqueles não têm procura.

- Os islandeses fazem tantos investimentos no estrangeiro que os seus bancos estão a crescer mais do que os de qualquer outro país.

- Os islandeses compram mais livros per capita que qualquer outro país do mundo.

Além disso, inventaram a novela, ou algo muito parecido.

Jorge Luís Borges era um tremendo admirador das sagas islandesas e sobre isso escreveu:

"No século XII, os islandeses descobrem a novela, a arte de Cervantes e de Flaubert e essa descoberta é tão desconhecida e tão estéril para o resto do mundo como a descoberta da América".

Os achados arqueológicos realizados em Terranova confirmam que foi um islandês, Leifur Ericsson, quem descobriu a América, apesar de Ericsson e os seus contemporâneos não se terem estabelecido ali como fariam os espanhóis 500 anos depois, no Caribe.

Borges enganou-se ao dizer que as sagas tinham sido escritas no século XII (foi no século XIII), mas é certo que as sagas se antecipam à novela, porque são relatos lineares em prosa, com um princípio, um enredo e fim com uns heróis que vivem aventuras.

Mas acabam por ser, com o seu inexorável melodrama (li a Saga de Njal e folheei algumas mais), versões vikings das séries televisivas contemporâneas. Os temas são o amor, a traição, a vingança e grande parte da acção desenrola-se à volta de mulheres manipuladoras e intrigantes, os malvados protótipos de Lady Macbeth e a Alexis de Joan Collins.

O trajecto de 40 minutos em autocarro, às três da manhã, debaixo da luz do amanhecer (no verão, há luz do amanhecer toda a noite), permitiu-me ver uma paisagem de lava escura, plana e acidentada, tão desprovida de vida - nem um só arbusto, ou uma pequena erva sequer - que pensei imediatamente no que já tinha lido sobre a NASA enviar para ali os seus astronautas para se treinarem na altura das viagens à Lua. E este era o canto da Islândia no qual vivem dois terços da população!

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Criado em: 27/01/2007 • 10:04
Actualizado em: 27/01/2007 • 15:51
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO


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