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pin.gifARTIGOS DE OPINIÃO - Álvaro Cunhal, um mito cubano

Por: Gil Teixeira

Com todo o respeito e admiração que Pacheco Pereira nos merece, pessoa inteligentíssima e um dos raros políticos que representam Portugal no Mundo, não vimos como possa perder o seu precioso tempo às voltas dentro de baús velhos, e sótãos cheios de teias de aranha, procurando recortes de jornais do antigamente, censurados por génios cuja inteligência espremiam num lápis azul, ao lado das fichas mentecaptas dos seus colegas pidescos, e da cartilha do “avante”, e porventura ouvindo os sons dos “compactos” de velhos companheiros de Álvaro Cunhal, tudo para biografar, sem autorização expressa, esta finada figura de conteúdo político caduco, que pouco ou nada diz aos portugueses das novas gerações, e as antigas apenas recordam como o homem que fugiu da cadeia de Peniche em Janeiro de 1960 para a terra dos bolcheviques russos, e desembarcou no dia dos trabalhadores em 74, num comboio em Santa Apolónia, com as cabelos encanecidos, e uma grande branca na mente, a tal ponto que só no último patamar da vida, embora matreiramente, aceitou que os ventos varreram o comunismo vermelho de cima da Terra, e que só restam uma pequena imitação cubana, uma fantochada norte-coreana, e uma infantilo-aberração chinesa, todas com os dias contados.
Portugal, admitimos, deve uma indemnização monetária aos sucessores de Álvaro Cunhal. Num momento em que os combatentes do Ultramar têm direito a pensões pelos danos físicos e psicológicos que sofreram nas Áfricas, penso que tudo justifica que essa dívida seja paga monetariamente aos herdeiros de Álvaro Cunhal, a fim de se saldar as contas e evitar o alastramento de mais um mito cubano com pés de barro. Esteve preso durante onze anos, sem ter praticado qualquer crime, apenas por ter ideias muito parecidas com as de Oliveira Salazar, também um homem de esquerda segundo o Prof. José Hermano Saraiva, que levou a uma espécie de jogo do gato e do rato entre os dois, a tal ponto que foi preso e solto várias vezes, possivelmente a ver quem mudava de ideias. Diz-se que passou oito anos isolado na cadeia de Peniche, o que não acreditamos, que lhe valeu o vedetismo internacional, e o apoio dos Jorges Amados e dos Pablos Nerudas nesse período, e mais tarde as excursões à Rússia, onde tudo o indica se submeteu voluntariamente a lavagens ao cérebro, cujos métodos ensinou aos seus camaradas “comunistas” portugueses.

A relação de amor-ódio entre Cunhal e Salazar teve vários pontos de contacto, e talvez Hermano Saraiva não tenha dito uma grande asneira, ou inventado um grande episódio da História de Portugal, quando apelidou Salazar de esquerdista. Salazar até certa altura fez vista grossa aos escritos políticos de Cunhal em vários jornais e revistas, e em 1940, estando este detido, autorizou que o seu exame final fosse feito sob os olhares de uma intelectual escolta policial, para engrandecer a tese sobre um tema satânico na altura, o aborto, em cujo júri, curiosamente, entrou Marcelo Caetano, na Faculdade de Direito de Lisboa. Adaptando o tempo do verbo, ambos são adeptos de polícias políticas, umas vestidas de “kgb” outras de “pides”. Desconfiam da democracia. Apenas acreditam no Estado-polícia. São avessos aos americanos. Por razões opostas, têm medo do capitalismo e do desenvolvimento económico, o primeiro do aburguesamento dos proletários, o segundo da transformação dos camponeses em proletários. Fazem a apologia e praticam a política do partido único. São paladinos do conservadorismo, e do provincianismo. A generalização do conhecimento amedronta-os. No último acto de Salazar caiu da cadeira agarrado às suas ideias. Barreirinhas Cunhal, dá um pinote, veremos adiante, e abraça o revisionismo, depois de ter condenado ao cadafalso político muitos dos seus camaradas.

Cunhal e Salazar divergem ainda em aspectos essenciais da personalidade, no vedetismo, enquanto Salazar se acanha no trato com o povo, Cunhal é um adepto forte do “culto psicológico da personalidade”, expressão que nos é grada, aparentando, inteligentemente, defender o contrário. O anonimato ou o incógnito de Cunhal foi apenas uma manobra para concitar sobre a sua pessoa a consideração colectiva, e despertar o interesse e acicatar a memória do povão. O dito “culto psicológico” de Cunhal, reflectiu-se ainda na sua pretensa coerência, onde são precisos muitos acólitos incondicionais, e que teve o seu expoente máximo na escolha do seu putativo sucessor, Carlos Carvalhas, em 1992, uma autêntica marionete, muito abolachado e sem ideias próprias, salvo a graça de ter chamado avestruz ao Tony Blair, o primeiro-ministro de Inglaterra, e que não pôs em risco toda a estratégia da velha raposa “comunista” de Álvaro Cunhal de vigiar o Partido até ao último sopro de vida agora exalado. Efectivamente montou um “aparelho partidário” de fraca qualidade, disperso em células com poucos neurónios, haverá sempre honrosas excepções, que devem ser enaltecidas, o que lhe deu sempre a segurança do eterno líder, como se fosse um espírito “kapagebiano”, presente em todas as reuniões, e infiltrado entre os camaradas.

O burguesismo encoberto de Cunhal. Cunhal sempre teve apetites burgueses. Ardilosamente inventou uma forma de sobrevivência sem dinheiro, na condição dos camaradas lhe pagarem as facturas. Cansado de estar de braços cruzados na Sede do Partido, e depois de ter passado a pasta e as chaves a Carlos Carvalhas, guardando, no entanto, uma cópia para as eventualidades, assumiu publicamente a sua veia poética e literária e artística encobertas, o que lhe deu a possibilidade de frequentar os locais preferidos da burguesia. Como dissemos antes, a biografia não autorizada expressamente por Álvaro Cunhal não tem o mínimo interesse, todavia há aspectos relacionados com a sua pessoa que deveriam merecer alguma reflexão, como seja o seu comportamento na época “revolucionária” em que foram muitos os sinais de colaboracionismo com as “forças da reacção”, disfarçados nos ataques às hostes muito convenientemente baptizadas de “esquerdistas”.

As sombras e os pesadelos que atormentaram Cunhal devem ter sido muitos. Os seus erros políticos foram enormes. Sempre viu os seus opositores como uma sombra, ou como alvos a abater. Todos nos lembramos do seu frente a frente televisivo com Mário Soares, “olhe que não, olhe que não...” e nem a carta que este lhe escreveu há mais de dez anos, quando Cunhal fez 80 anos, tecendo-lhe rasgados elogios, foram suficientes para quebrar o gelo ou criar uma empatia com velho “comunista”. Por isso, contra a corrente, Cunhal jamais pode ser considerado um homem de grande visão política, e pode dizer-se que foi um dos responsáveis pela radicalização de Salazar. Estando a Oposição ao regime concentrada no Partido Comunista, cabia a este criar uma alternativa verdadeiramente democrata, sem ser seguidista, naturalmente, e nunca enveredar por uma estratégia de supressão do adversário, atitude que só ajudou a perpetuar o Poder de Salazar e depois Marcelo Caetano, durante quase meio século, apeado por uma mera reivindicação do pré militar, e nunca pela luta “revolucionária” de Cunhal. Em resumo, Álvaro Cunhal alimentou a máquina salazarista.

É sabido que o líder espiritual dos comunistas, Karl Marx, não deixou sucessor, e Vladimir Ulianov (Lenine), vendo a cadeira vazia, congeminou um credo religioso mal amanhado nos seus ridículos textos “o imperialismo, estado supremo do capitalismo” e “o Estado e a revolução”, arregimentando ainda uma série de camaradas-apóstolos, como Leon Trotsky, que muito lamuriou o atentado que Lenine sofreu em Setembro de 1918, e do qual escapou, vindo a cadeira a ser ocupada por esse prócer do terror, José Stalin, e depois transmitida aos apóstolos que lhe sucederam até ao tombo do muro de Berlim, devido ao peso de revisionismo, em 12 de Novembro de 1989, concentrado na simbólica e imponente Praça de Potsdamer.

Passados quase dezasseis anos, também em Novembro, somos confrontados com o último acto de Cunhal. Bem vista as coisas, toda a vida de Cunhal foi uma peça teatral. Expulsas, e bem, ou havia “comunismo” ou não havia “comunismo”, todas as raposas ronhosas que se acolhiam no Partido Comunista, Cunhal viu chegado o momento de jogar a última cartada. Passe a morbidez, no dia em que fez 90 anos, ou seja em 10 de Novembro, dia muito especial para Cunhal, sabendo que a múmia embalsamada do seu líder espiritual, falecido em 1924, em Gorki, perto de Moscovo, iria tirar um período de férias até ao final do ano, saindo temporariamente da Praça Vermelha, um lugar “sagrado” para os guardas do ressequido cadáver, para mudar de roupa e arejar um pouco as ideias, e tendo tomado conhecimento de que o invólucro do líder ainda pode durar mais de cem anos, a fazer fé na poção “mágica” dos tratadores, antes de voltar definitivamente para o lugar dos mortos, decidiu deixar cair o pano, e apresentou a última cena da peça “a morte do comunismo que nunca existiu”, muito oportunamente posta em palco quando Lenine recolheu à sala de tratamentos químicos da epiderme.

Assim, antes do último sopro de vida, presenteou-nos com uma “nova-velha cartilha de marxismo” em que leva de vez à cova Lenine, colocando novamente no pedestal Karl Marx, a liderança primeira dos “comunistas”, agora apoiado sobretudo pelos movimentos e organizações sindicais de classe, e só depois os caquéticos partidos comunistas, revolucionários, e quejandos, que não sejam “esquerdistas”, em mistura com os movimentos patrióticos, verdes, pacifistas, e de massas, nem todos, naturalmente, se estes actuarem em terras, coreanas ou vietnamitas do norte, chinesas ou cubanas. Neste momento supomos que os “comunistas” ditos não-ortodoxos, e transfugas que foram postos a andar do Partido Comunista estão a começar a preencher a fichas de reinscrição. Estão rotundamente enganados. Cunhal, prevendo isso, substituiu o Partido pelo Movimento dos trabalhadores sindicalizados, e se quiserem inscrever-se terão de fazê-lo nos sindicatos, que o mesmo será dizer, terão de voltar a trabalhar, de onde andam fugidos há cerca de trinta anos.

Gil Teixeira


Criado em: 15/06/2005 • 08:45
Actualizado em: 28/07/2005 • 19:28
Categoria : ARTIGOS DE OPINIÃO


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Comentários


Comentário n°3 

vergonha 31/01/2009 • 01:29

Ainda bem que muito pouca gente lê este documento.

O senhor (será?) que escreveu este artigo é claramente do PSD. Provavelmente apoiante de Sá Carneiro, esse sim, um amigo de Salazar que mentia ao dizer querer democracia só para obter votos. Vergonha.

Quem o ouve(lê) pensa que o capitalismo é um mar de rosas... nota-se, a miséria de mundo em que vivemos: um mundo egoísta, consumista, individualista,que não preza pelo ambiente. Altos índices de pobreza. Será que não há pessoas que sendo livres não o são assim tanto?

O capitalismo já teve muitas oportunidades de mostrar que podia ser uma via viável para o mundo. Já comprovou que não é uma via viável. Eu não sou comunista, aliás não sou nada, sou tão ateu para a politica como para a religião, mas o que consigo perceber é que é preciso um sistema económico diferente do que aquele que temos, que torna as sociedades muito pouco humanas. Cada um faza por si e que se lixem os outros. Isto não é mundo, isto é vergonha.

Cunhal seria talvez perigoso no poder, na medida em que defendia um regime ligeiramente fundamentalista, mas temos que admitir que devemos muito do que temos hoje ao que ele fez, sobretudo a nossa liberdade. Essa do "ter chegado no dia 25 de abril a portugal" demostra uma tremenda ingorancia do senhor.

O capitalismo é podre. Venham novos sistemas económicos que permitam mudar a maneira como vivemos, sistemas que tornem a humanidade mais adulta, sim, porque é óbvio, a humanidade ainda está numa fase muito prematura, eu diria a infancia, talvez daqui a uns milhares de anos, se ainda houver humanidade, as coisas já tenham mudado.

Comentário n°2 

alcofribasnasier 05/11/2008 • 18:13

APOIADO!

Comentário n°1 

Prettygirl 01/06/2006 • 14:39

Álvaro Barreirinhas Cunhal foi político, escritor, artista plástico, resistente e dirigente comunista.


  Quem não tem imaginação não tem asas   Mohammed Ali
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