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sujet.gifPara ler e deitar fora - Ruralidades

A tarde espreguiça-se longa e calmamente, como se fora eu pela manhã. Já se vem para a rua. Vestem-se os bancos de escuro e olhares distantes.

Paira no ar um cheiro de memória: esteva cozida ao sol do alentejo. Uma aragem breve traz o aroma do pão acabado de cozer, no forno que é todos e de ninguém.

Fica ali entre caminhos com as casas em redor. Não pára todo o dia e toda a noite. Nunca percebi que relógio dizia as horas a estas almas para fazer o pão.

"Pão quente: muito na mão, pouco no ventre". Com isto amainavam-me a vontade de o devorar logo ali, entre bufadelas e malabarismos.

Mestria era fazer o pão para a semana e bater certo com a vez de voltar a ir ao forno. Nunca às mesmas horas.

Era um momento mágico o reacender do forno. A esteva amontoada ao lado pedia meças, imponente, àquele monumento comunitário.

- Vó, faz costas!
- Está bem, guloso! Eu faço.

Uma "costa" era como um papo-seco, mas doce, mais comprido e mais baixinho. Levava azeite e canela. As extremidades eram maminhas por onde começava e terminava o prazer dos dias do pão diferente.

O luar de Agosto poupa o petróleo dos candeeiros da minha aldeia. Abrem-se agora as portas. Espera-se, em vão, que o calor saia e entre nas casas o fresco que não existe.

Dormita-se nos bancos. Por todo o lado há ralos, cigarras e grilos ao despique. Mas ninguém ouve.

- Vó-ó, posso dormir lá fora?
- Não. Vem aí o bicho!
- Ah! Qué vê o bicho!
- !

José Manuel Ruas

Criado em: 08/08/2006 • 19:33
Actualizado em: 05/09/2006 • 11:57
Categoria : Para ler e deitar fora


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Comentários


Comentário n°4 

Cristina Barradas 01/06/2007 • 23:53

lembrei-me agora da festa que fazia, quando a minha Bisavó, chegada do Alentejo, nos visitava em Lisboa.

Eu perguntava á Bisavó ( a quem chamava Avó):

Avò traz Costas?


Comentário n°3 

AnaPereira 10/08/2006 • 09:33

Bem, que saudades do paõzinho da minha avó!... Consigo ainda sentir-lhe o cheiro e o sabor, e as pevides... bons tempos. Obrigada por me avivar a memória, um dia destes tenho de  fazer pão com a minha mãe. Umas merendeiras com chouriço, quem sabe?

Comentário n°2 

Webmaster 09/08/2006 • 02:39

É verdade, mano. Faltam pormenores que deixei no nosso canto de memórias comum e que bem podias ir lá buscar. E logo tu, que tão bem escreves.

Faltam os sons dos chocalhos das ovelhas e cabras. Faltam os giros pela aldeia, noite fora e os riscos de umas quantas estrelas cadentes perdidas pelo céu.

Faltas tu.

Comentário n°1 

Tono 09/08/2006 • 01:19

A que recantos da memória  te socorreste para  escrever esta história? Quanto de imaginação? Está bonito. Gostei.
Para além do cheiro da esteva, seca ou queimada, poderias ter acrescentado o cheiro de bosta de macho ou égua e o cenário ainda seria mais real ...
Um abraço.
Tono.

  Lealdade, um conceito que temos vindo a preconizar e que integra dois elementos fundamentais:
a confiança e a disponibilidade, os quais, por sua vez, se projectam na afectividade  
Lourenço Dias Almeida da Silva
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