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news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO II - Dietas

A quantidade de dietas milagre no mundo será sempre proporcional ao número de idiotas.

CARLOS LUJáN
Jean-Michel Cohen

Este médico declarou guerra às dietas milagre. Em especial à Dukan. Tanto que o seu autor, Pierre Dukan, o processou por difamação... e perdeu. Antes de publicar o seu novo livro, o médico que é consultado por Nicolas Sarkozy, Sarah Jessica Parker ou Jennifer Aniston volta à carga. Fala dos 'gurus dietéticos', da indústria alimentar; da sua mãe, obesa... 'Não tenho nada a esconder', diz ele.



Antes dele, as autoridades sanitárias francesas e espanholas já advertiam sobre os riscos de um método que fez milionário o francês Pierre Dukan.

Cohen, que publica esta semana em Espanha 1800 calorias para ser feliz (Ed. Planeta), uma novela decididamente autobiográfica sobre como ultrapassar os diferentes transtornos alimentares, é um crítico acérrimo das dietas milagre.

O nutricionista, no entanto, não oferece uma 'dieta Cohen'. Acha que o sobrepeso, a obesidade ou a anorexia têm de tratar-se de forma integral. 'A feição psicológica, a razão pela qual alguém tem um problema com o seu corpo, é tão importante como a alimentação', afirma. E na hora de emagrecer, propõe aos seus pacientes, mais que medidas drásticas, 'uma mudança de alimentação, mas sem necessidade de se afastar muito dos seus hábitos'. No seu consultório em Paris, onde recebe clientes ilustres cujo nome evita revelar, faz uma revisão completa, sem rodeios, ao mundo da alimentação. 'Sou feliz com o que faço e comigo mesmo, de modo que não tenho nada que ocultar'. Essa é, ao menos, a impressão que dá.

XLSemanal - Hoje em dia os gurus das dietas são quase todos franceses: Dukan, Montignac, você... Casualidade?
Jean-Michel Cohen - Há uma grande tradição em França. Se algo nos define é: gastronomia e dieta. As nossas mulheres são as mais delgadas, quiçá porque comemos mais cereais que ninguém [e pára]. E, faz favor, não me inclua entre esses 'gurus'.

XL. - Que o diferencia deles?
J.M.C. - Para começar, não há uma 'dieta Cohen'. Eu ouço os meus pacientes e proponho-lhes uma dieta personalizada, ajustando o número de calorias em função das suas necessidades, que, no caso de uma anoréxica, pode ser ganhar peso. Os tipos que menciona são gente que sabe vender o seu produto. Não são nutricionistas, são dietistas, é muito diferente. A sua prioridade não é a saúde do paciente nem pretendem ajudá-los a viver mais, apenas querem que os seus clientes emagreçam. É uma questão exclusivamente comercial, muito americana: lanças o teu próprio método e, pronto!, toca a enriquecer.

XL. - Mas também é uma estrela...
J.M.C. - Como médico sempre me saí bem. Apareço na televisão, tenho bons clientes... Confesso que, quando não era conhecido, era bem mais difícil obter resultados com os meus pacientes. Agora consideram-me uma celebridade e isso obriga-os a um maior esforço porque se não perdem peso é culpa deles e eu já não tenho nada que demonstrar.

XL. - A que atribui o sucesso das dietas de Dukan ou de Atkins?
J.M.C. - Um professor meu dizia sempre: `O número de dietas milagre no mundo sempre será proporcional ao número de idiotas´. Agora tocou a vez a Dukan; em cinco anos será outro. A gente quer perder peso rápido, sem esforço e sem ter em conta mais nada. É indubitável que se alguém come 2.000 calorias por dia e reduz para 1.000 diminuirá de peso. O problema é que perder peso de forma equilibrada leva tempo. Todos querem acelerar o processo, mas isso tem um preço: a saúde.

XL. - Você e Dukan publicam em França na mesma editora...
J.M.C. - Sim, bom, mas eu trabalho há anos com eles.

XL. - Conhece pessoalmente Dukan?
J.M.C. - Vi-o uma vez e, creia-me, não me tem muito apreço. Processou-me por dizer que a sua dieta pode causar graves problemas de saúde em alguns pacientes, como um forte aumento do colesterol, problemas cardiovasculares ou cancro de mama, e perdeu. O juiz entendeu que não havia nada de calunioso nas minhas afirmações.

XL. - Diz Dukan que todos os que o criticam têm inveja porque ele está a enriquecer.
J.M.C. - Eu não me posso queixar. Até proponho passar a fazer consultas grátis um dia por semana... Mas bom, é verdade que neste negócio há muito dinheiro em jogo. Uma dieta popular gera milhões: o livro, o site, os produtos que se podem associar ao nome... A gente conhece os inconvenientes e perigos da dieta Dukan, dizem-no as autoridades sanitárias da França e Espanha e nutricionistas de todo o mundo, mas há muita gente que não se importa com isso.

XL. - A imagem que dão é que vocês são um grupo de oportunistas a lutar pelo maior pedaço do bolo...
J.M.C. - Bem sei. Todos os jornais falaram da minha disputa com Dukan. Não há problemas mais importantes? É absurdo, mas há pessoas a quem isso interessa. O que havemos de fazer? Quando Dukan se tornou famoso, os meios de comunicação social apresentaram-no como alguém com uma solução milagrosa entre mãos; agora metem-se com ele: que ganha dinheiro à custa da saúde das pessoas e bla, bla, bla. Há muita hipocrisia pelo meio.

XL. - De verdade, nunca pensou fazer a sua própria dieta?
J.M.C. - Não. Olhe, a receita do sucesso de uma dieta destas é simples: que seja muito fácil de entender e que um par de famosos falem dela. Nos EUA quando se vai publicar um livro, a primeira coisa que o editor diz é: «Consegue que alguém famoso siga a tua dieta». Se o conseguir, dá luz verde. Todos ganham dinheiro: a editora, as lojas, os meios de comunicação..., enquanto a pobre gente que segue os teus conselhos perde a saúde. Não são pacientes, são clientes.

XL. - Diz-se que Sarah Jessica Parker, Jennifer Aniston ou Nicolas Sarkozy figuram entre os seus pacientes...
J.M.C. - Atendo gente muito conhecida, sem dúvida.

XL. - Atende muita gente frustrada por dietas milagre?
J.M.C. - Atendi pacientes cuja alimentação consistia em 400 gramas de carne a cada refeição ou pessoas que só comiam ananás. O sobrepeso é um problema de energia: a diferença entre o que comes e o que queimas. Perder peso rápido é simples. Podes inventar o que quiseres. O problema de Dukan não é o excesso de proteína animal, mas o que elimina de coisas importantes para a saúde. Algo muito grave é o potássio. Se não comemos fruta e vegetais, o potássio baixa, o que afecta muitos processos do nosso organismo.

XL. - E você, fez dieta alguma vez?
J.M.C. - Sabe por que sou hoje um nutricionista? Em menino comi mais do que é recomendável. A minha mãe era obesa. Queria-me muito e demonstrava-o dando-me comida. Na minha família sempre falávamos do peso da minha mãe, do médico a que deveríamos ir, quanto nos iria custar... Visitou médicos de metade de Paris; todos ladrões. Com o tempo entendi o que acontecia . A obesidade costuma ser e ter uma história familiar. O problema da minha mãe levou-me a estudar nutrição.

XL. - E a fazer dieta?
J.M.C. - Indirectamente sim, mas a razão principal foi um desengano amoroso. A minha noiva deixou-me plantado e eu estava convencido que era pelo meu peso. Estabeleci a minha própria dieta, a primeira que receitei na minha vida [ri-se], à base de proteínas, fruta e exercício.

XL.
- Parecido à dieta Dukan, então...
J.M.C. - [Sério]. Não acho. Dukan, em todo o caso, não inventou nada. É o mesmo que propôs em 1958 um tal doutor Pennington.

XL. - Em matéria de obesidade, qual é o grande vilão do nosso tempo?
J.M.C. - Os nossos hábitos. Movemo-nos pouco e comemos mais do que o necessário. Somos levados constantemente a comer.

XL. - Culpa, então, a indústria alimentar pelo aumento da obesidade...
J.M.C. - São os grandes responsáveis. Contar-lhe-ei um encontro que tive nos EUA com directores de Walmart para falar do problema da obesidade. Expus-lhes as minhas opiniões e, ao acabar, disseram-me: «Bom, somos uma empresa, vendemos produtos, não o podemos ajudar. Se conseguir mudar os hábitos dos consumidores, adaptaremos os nossos produtos, mas por enquanto...». A obesidade, digamos, não é o seu problema. É uma indústria muito poderosa que gera milhares de postos de trabalho e milhões. Nenhum governo quer molestá-los muito.

XL. - Dizia que nós somos levados a comer...
J.M.C. - Assim é, e não só com a publicidade. Sabe qual é a receita para vender mais? Primeiro acrescentas açúcar ao produto. Depois, se queres vender ainda mais, pões um pouco mais de gordura, já que esta aumenta o sabor do açúcar. Então, os teus concorrentes porão mais açúcar e também mais gordura. E assim continua.

XL. - Deveríamos cozinhar mais, não?
J.M.C. - Quando preparas a tua comida, sabes a quantidade que pões de cada ingrediente. Se compras uma lata não sabes. Preparar a comida é importante por isto também, pelo que pões de ti nela e porque se a partilhas com a família ou os amigos reforças um vínculo. A comida é partilha. Na comida há amor. Que amor encontras num prato pré-cozinhado?

XL
. - O seu novo livro, 1800 calorias para ser feliz, é uma novela, não o típico manual para seguir uma dieta. É o fruto das suas aspirações literárias ou trata-se de uma forma diferente de transmitir as suas ideias?
J.M.C. - Ambas as  coisas. Através de uma novela pensei que muita gente com os mesmos problemas se iria identificar com as histórias que conto. A obesidade é algo muito sério e há que o provar. É incrível o difícil que é explicar às pessoas que em questões de nutrição não há milagres e que quem oferece dietas rápidas não vai à raiz do problema.

XL. - Que é...
J.M.C. - A raiz do problema é: quem está adiante de nós pedindo ajuda e quais são os meus limites.

XL. - A mensagem da sua novela seria: «Não se pode curar ninguém se não a ouvimos»?
J.M.C. - Gosto. Queria mostrar que há um factor humano em toda a especialidade; este está no coração do problema e é algo que se esquece com frequência. O sobrepeso, a obesidade ou a anorexia costumam tratar-se como um problema exclusivamente médico, mas têm muitos aspectos diferentes.

XL. - Sendo nutricionista, e não psicólogo, como consegue que os pacientes lhe abram a sua intimidade?
J.M.C. - Quando fiz as minhas primeiras práticas no hospital, a primeira coisa que o meu formador sugeriu foi que passasse um ano no serviço de psiquiatria. Assim consegui aprofundar os envolvimentos psicológicos destes transtornos.

XL. - Também atende anoréxicas. Diz que as que ficam grávidas se curam no momento...
J.M.C. - Assim é, sempre. Recuperam de repente a ligação com a sua mãe e estabelecem o vínculo com o seu bebé. Sentem-se melhor consigo mesmas e curam-se. O vínculo é a raiz de tudo. A anorexia, para as raparigas, é uma forma de rebelião.

XL. - Recebe muita gente com depressão?
J.M.C. - 60 por cento. Com frequência estão a um passo de precisar de ajuda psiquiátrica. A vida é o balanço entre os prazeres. Às vezes a gente precisa de fumo, álcool, cocaína ou pílulas para compensar carências. A comida actua de uma forma similar. O que tu comes representa quem és, a tua família, onde e como vives, quanto dinheiro tens; a tua alimentação é parte da tua identidade. Desde o teu primeiro dia de vida.

XL. - Outro dos seus livros, Bien manger en famille [Comer bem em família, 2005], fala de tudo isto, não?
J.M.C. - A minha mulher e eu queríamos contar como é dar de comer às filhas, temos três, enquanto vão crescendo, ao longo de 18 anos. Ela, como mãe, explica como se faz e eu, como médico, o que devem comer. Todos os pais do mundo passaram por isso. O teu filho não quer comer algo e começas a distraí-lo ou a fazer gracinhas. Isto é muito interessante porque a comida não é só comida; é parte do relacionamento com os teus pais, é diversão, brincadeiras: é prazer. Dizemos também que cozinhar para os filhos é mesmo muito importante. Não se pode abusar das comidas preparadas. A comida é vínculo.

FERNANDO GOITIA



Tradução JURIS - Artigo original


Criado em: 16/10/2011 • 16:23
Actualizado em: 17/10/2011 • 18:57
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO II


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