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news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO II - As dez canções mais interpretadas da história

Paul McCartney, Keith Richards e Chuck Berry
 
Sobreviveram a todo o tipo de ousadias. Existem adaptações geniais, explosivas, insólitas, vergonhosas e emocionantes… Aqui está uma lista realizada por Rolling Stone, dos temas com mais interpretações.  

1. ‘Yesterday’ (John Lennon / Paul McCartney)


Assim nasceu:
A canção com mais versões nasceu sem o mínimo esforço. Numa feliz manhã de 1965, Paul McCartney levantou-se num hotel parisino com a melodia entre os lábios e pareceu-lhe tão familiar que levou tempo a convencer-se que não a tinha ouvido antes em nenhum sítio. Mais difícil foi a letra: conta a lenda que, durante dias, o seu autor cantarolava assim o primeiro verso: “scrambled eggs, oh baby, how I love your legs” (“Ovos mexidos, oh, querida, como gosto das tuas pernas”). A inspiração literária não tardou. Paul veio a Portugal no dia 27 de Maio de 1965. Durante uma viagem de cinco horas de
carro entre Lisboa e Albufeira. Paul ia passar uns dias de férias com a namorada de então, Jane Asher, numa casa que lhes tinha sido emprestada pelo guitarrista dos Shadows, Bruce Welsh. A ideia do quarteto de corda e os arranjos são gentileza de George Martin. Mas, por uma vez, os Beatles não eram pioneiros: Buddy Holly já fazia arranjos de cordas muito antes, com os seus sucessos de 1958 It doesn’t matter anymore e True love ways.  

As melhores interpretações:
A primeira versão alternativa de Yesterday foi rubricada pelo baladista Matt Monro em 1965, quando ainda mal se
conhecia a versão original dos Beatles. Mas a interpretação que mais admirada é a do maestro Ray Charles que a levou aos primeiros lugares das listas de soul em 1967. A recriação era soberba, embora John Lennon nunca tenha ficado convencido. Estando assim as coisas, ofereceremos a alternativa de Marvin Gaye em 1970, uma adaptação mais que livre e abrasiva de pura paixão. Ou as de Smokey Robinson & The Miracles, Elvis Presley, Chris Farlowe e, claro, Frank Sinatra.  

Versões insólitas:
O mau das melodias ternas e melancólicas é que podem acabar em gravações de personagens como Michael Bolton ou Richard Clayderman. Tal foi o caso, infelizmente . Também existem versões latinas mais ou menos delirantes (Los Diplomáticos de Cuba, os mexicanos Vaquero’s Musical...) e uma interpretação em castelhano dos Boyz II Men com o seguinte arranque: “Yesterday / Hoje sinto-me longe de ontem / Tantas coisas mudaram que / queria estar no ontem”. Enfim...  

A seguir, a discutível interpretação de Michael Bolton.  


2. ‘Georgia on my mind’ (Hoagy Carmichael)

Assim nasceu:
O bom do Hoagland Howard Carmichael, actor, intérprete e baladista, já compunha obras tão importantes na história do Tin Pan Alley (ou jazz vocal) como Stardust quando, em 1930, começou a criar ao piano a soberba melodia Georgia on my mind. Preguiçoso, como sempre, com a parte literária, Hoagy encomendou a letra a um amigo banqueiro estabelecido em Nova Iorque, Stuart Gorrell. O estado da Geórgia aproveitou a imensa popularidade da canção para a proclamar, em 1979, como o seu hino oficial. No entanto, parece quase seguro que o tema aludia à irmã do compositor, Georgia Carmichael.

As melhores interpretações: Já em 1931, o saxofonista de jazz Frankie Trumbauer conseguiu um sucesso imediato com Georgia on my mind, que também passaria por mãos e vozes tão distintas como as de Louis Armstrong, Django Reinhardt, Billie Holiday, Willie Nelson, Tom Jones, The Band ou James Brown. Pouco conhecida e fascinante é a interpretação que um adolescente Steve Winwood registou para o Spencer Davis Group em 1965. Van Morrison gravou-a, por fim, em Down the road (2002), após tê-la feito sua em muitos concertos. Mas a versão por antonomásia volta a ser a do saudoso Ray Charles, que obteve com ela três Grammys e, ainda por cima, era natural da Geórgia. Ray imortalizou-a em Nova Iorque, em apenas quatro gravações  – ele costumava fazer entre dez a doze por cada tema – e com Ralph Burns como responsável pelos arranjos orquestrais. A ideia de gravar a canção partiu do motorista de Charles, que a tinha ouvido trautear nas suas viagens por toda a América.  

Versões insólitas:
As Georgias mais pitorescas provêm do mundo do cinema. Na cerimónia dos Grammys 2005 – naquela em que Ray obteve oito estatuetas por Genius loves company – Alicia Keys interpretou a canção em companhia do actor James Foxx, que poucas semanas depois obteria o Óscar pelo seu papel de Ray Charles na biografia de Ray. Mais curioso ainda é ouvi-la ao actor Jack Lemmon no seu disco Piano & Vocals, de 1990. Lemmon já fazia os seus arranjos musicais no final dos anos 50, na época de Com Saias e Ao Louco, e, vá, não o fazia mal...  

Aqui fica a versão do grande Ray Charles, em 2000:  


3. ‘My way’ (Claude François / Paul Anka)

Assim nasceu:
A canção que o mundo inteiro identifica com Frank Sinatra nasceu em 1967 em língua francesa com o título de Comme d’habitude (Como de costume). Era uma história malévola sobre o fastio da vida conjugal que Gilles Thibaut
escreveu e a que Jacques Revaux fez música e um dos personagens mais populares da França ye-yé, Claude François. Mais pensou-se que aquela história constituía uma cruel vingança do sedutor Clo-Clo para a cantora France Gall, com quem tinha partilhado os lençóis. Poucos meses depois, o canadiano Paul Anka (o de Diana) ouviu a canção na tv francesa, apaixonou-se pela melodia e transformou-a em inglês numa história de orgulho e reivindicação pessoal. Perfeito para uma personagem de vida dissoluta como o amigo Sinatra.  

As melhores interpretações:
Sinatra foi o grande catalisador, sem dúvida, desta canção ideal para vozes com muito temperamento. A 12 de Abril de 2004, coincidindo com o 35º aniversário da sua gravação, a editorial Warner promoveu a difusão simultânea do tema – em qualquer das suas versões – através de 35.000 emissoras e anunciou que My Way era o tema mais difundido na história. Mas qualquer um sabe: cinco anos antes, a sociedade americana de direitos BMI dizia o mesmo de You’ve lost that lovin’ feeling, dos Righteous Brothers. Outras interpretações de prestígio de My Way incluem a do seu autor anglófono, Paul Anka (só ou com Julio Iglesias), Tom Jones, Nina Simone e, claro, Elvis Presley.  

Versões insólitas: O mais pitoresco de tudo é constatar que o muitíssimo jovem David Jones (Bowie, para nos entender) também adaptou para inglês Comme d’habitude e assim deu forma a Even a fool learns to love [Até um tonto aprende a amar], uma versão em que um garoto jocoso disimula a sua debilidade pela garota bonita do grupo. Existe uma gravação em que se ouve Bowie a trautear a sua frustrada interpretação sobre o vinil original de Claude François. Além disso, My way certificou uma maleabilidade quase camaleónica, com interpretações de punk desaforado (Sid Vicious passadíssimo, já a solo depois da dissolução dos Sex Pistols), raï argelino (na famosa reunião dos três grandes do género, Khaled, Rachid Taha e Faudel), rap (Jay-Z), belcanto (Os Três Tenores) ou lolailo puro, com os Gipsy Kings em dueto com Joan Baez!  

A versão My Way de Frank Sinatra, em 1989:



4. ‘(I can´t get no) Satisfaction’ (Mick Jagger / Keith Richards)

Assim nasceu:
De novo, nada como os braços de Morfeu para esperar a chegada da inspiração. E de novo, o mítico 1965. A meio de uma noite de Maio, Keith Richards acordou no hotel Fort Harrison de Clearwater (Flórida) com as palavras “can’t get no satisfaction” e o famoso acorde de guitarra na cabeça. Gravou a ideia numa cassete e depois continuou a rugir a estrofe. Jagger arremataria a jogada com um texto rebelde e inconformista, crónica de uma geração de frustrações sobre a vida moderna, a estrada, o sexo e os meios de comunicação. A combinação da música, letra e guitarra de distorção era dinamite pura, mas Richards não as tinha todas consigo: suspeitava que o seu subconsciente onírico se tinha limitado a combinar o acorde de Dancing in the street (Martha & The Vandellas) com uma linha do velho tema 30 days, de Chuck Berry, que diz “I don’t get no satisfaction from the judge”. Por tudo isso, Satisfaction só se publicou primeiro nos Estados Unidos e demorou três meses a chegar às lojas de Londres.  

As melhores interpretações:
Sem dúvida, a mais memorável é a que Otis Redding levou ao sucesso nos princípios de 1966 com uma rutilante secção de metais; curiosamente, era a ideia original de Keith Richards que o resto dos Stones se encarregaram de abortar. Os Devo assinaram uma espasmódica versão tecno-new wave no seu disco Q: Are we not men? A: We are Devo! (1978), sob a produção de Brian Eno. E o punk sacou todo o partido à fúria do original, sobretudo nas mãos de The Residents, que a recrearam num singelo vanguardista de charuto ruidoso.  

Versões insólitas:
A imensa quantidade de dinheiro que esta canção gerou em direitos de autor a Jagger e Richards também teve procedências com tão pouco pedigri rockeiro como Samantha Fox, que a gravou em 1987. E não foi a única loira atraída pela canção: Britney Spears também a incluiu no seu disco Oops! I Did It Again. Mas a insatisfação feminina mais racial é morena e mexicana. Trata-se de Alejandra Guzmán, a filha do rockeiro Enrique Guzmán, que no seu disco Me dá o teu amor gravou Satisfação com rimas como “não me dou por satisfeita / e não quero consentir / que te burles tu de mim”, ou “não me dou por satisfeita / que te planto é um facto”. Efectivamente: isto já não é uma crónica de gerações.  

A seguir, Otis Redding e o seu excitante (I can't get no) Satisfaction.  



5. ‘Blowin’ in the wind’ (Bob Dylan)

Assim nasceu: Ah, a incontinência criativa. Contam que aquele Bob Dylan de 19 anos que lutava por se tornar o rei do Greenwich Village nova-iorquino deitou cá para fora a letra de Blowin’ in the wind em dez minutos e limitou-se a pegar numa velha canção de escravos, No more auction block, para a parte musical. Eram os anos em que Dylan quase nem dormia “para que não lhe escapassem” as ideias que buliam na sua cabeça. Esta obra de aparente filosofia oriental tântrica, pôde ouvir-se pela primeira vez no clube Gerde's, a 19 de Abril de 1962 e um mês depois estava (letra, melodia e progressão harmónica) na capa do mítico número 6 da revista Broadside. Um aluno da universidade de New Jersey, Lorre Wyatt, comprou aquela revista, tocou profusamente a canção com a sua banda estudantil e em 1963, quando se editou o disco The freewheelin, fez crer ao semanário Newsweek que Dylan lhe tinha roubado o tema.  

As melhores interpretações:
Quase antes de Bob publicar a canção, o seu representante, Albert Grossman, cedeu-a ao trio de folk vocal Peter, Paul & Mary, que no verão de 1963 a levou ao número 2 das listas. As versões conhecidas são quase inumeráveis, desde Pete Seeger a Judy Collins, o mítico Kingston Trio ou os maravilhosos The Seekers. Uma agradável surpresa é ouvi-la na voz da jovem Cher de All I really want to do, o seu disco folk-rock de 1965. Outro peso-pesado da época, de nome Stevie Wonder, soube levar Blowin’ in the wind ao primeiro lugar das listas de rhythm and blues no verão de 1966. Mais recentemente, quem maior partido rockeiro soube tirar da canção foi Neil Young com Crazy Horse, que deixaram uma interpretação invulgar – com explosões de bombas e disparos incluídos – no seu duplo directo Weld (1991).  

Versões insólitas:
O mix paroquial de Blowin’ in the wind é fruto do poliédrico talento do jornalista Ricardo Cantalapiedra. Em comparação com tão altos desígnios, apontar que o clássico de Dylan também foi tratado de forma ligeira por Trini López ou massacrado na versão orquestal de Ray Conniff.  

Aqui têm a explosiva interpretação de Neil Young:  



6. ‘Johnny B. Goode’ (Chuck Berry)

Assim nasceu:
A canção que todo o aspirante a estrela do rock tem trauteado alguma vez é esta obra “mais ou menos autobiográfica” que em 1958 lançou no estrelato um especialista em maquilhagem e cabeleiras de nome Chuck Berry. O autor mudou “that little colored boy” (“esse pequeno rapaz de cor”) por
country boy” (“rapaz do campo”) para chegar a um público mais vasto. O nome de Johnny era uma homenagem ao pianista Johnnie Johnson, com quem Chuck tocou em numerosas ocasiões durante nos anos 50. No ano 2000, Johnson bateu-se sem sucesso contra Berry, reclamando que era o coautor de muitos dos seus temas (incluindo este).  

As melhores interpretações:
Keith Richards disse: “Foi a primeira canção de rock que ouvi na minha vida”. É lógico, por isso, que fosse introduzida no reportório de muitos grandes do género, desde os Beatles (fantástica leitura nas sessões da BBC) a Jerry Lee Lewis, Bill Haley, Grateful Dead, Al Kooper, os Stones, Hendrix ou os Burning. Johnny Halliday também a fez sua em francês, como Johnny, reviens!  

Versões insólitas:
Alguns dos rapazes mais pastoris das pradarias americanas quiseram ganhar pedigri com esta canção. É o caso dos Carpenters ou John Denver. A fanfarra destes anjos por parecerem rockeiros aguerridos resultava um tanto patética. Até o então ídolo das raparigas Leif Garrett gravou (1977) este hino.  

Abaixo, a versão de Leif Garrett acompanhada de uma montagem com fotos do ídolo adolescente. Tremendo.  



7. ‘What a wonderful world’ (Bob Thiele / George D. Weiss)


Assim nasceu:
A emocionante canção de Louis Armstrong publicou-se em 1968. O director da ABC Records receava que aquela “coisa” não iria muito longe. Armstrong concordou em receber uns muito discretos 250 dólares para se assegurar de que os músicos da orquestra também cobrariam. A canção foi escrita por Bob Thiele – então produtor de Mingus, Coltrane ou Charlie Haden – e George David Weiss, o mesmo compositor que entregou Can’t help falling in love a Elvis. Nenhum dos dois quis reparar no pormenor de que já existia um grande tema intitulado (What a) wonderful world, esse de Sam Cooke que começa “Don’t know much about history” e foi popular graças à tremenda cena de Única Testemunha, protagonizada por Harrison Ford. Mas este segundo mundo maravilhoso conseguiu ainda maior popularidade.  

As melhores interpretações:
 A par da interpretação clássica de Louis Armstrong, já perto da sua morte, estremece a versão que a malograda Eva Cassidy gravou ao vivo em 1996, sob forte medicação e seis semanas antes de morrer com um cancro de pele com apenas 33 anos. Quase ninguém reparou em Cassidy durante a sua breve vida, mas em 2001 aparecia entre as 20 melhores vozes de todos os tempos numa macro-sondagem da BBC. Tony Bennett também gravou esta obra com a sua elegância característica.  

Versões insólitas:
Uma visão poética e idealizada sobre a vida quotidiana não pareceria a matéria prima mais comum para um banda tão ilustre como a do já falecido Joey Ramone, vocalista dos Ramones, mas gostava de a interpretar ao vivo, como se confirma no seu disco póstumo Don’t worry about me. O tema também se encontra entre as raridades discográficas de Nick Cave com os seus indómitos Bad Seeds.  

Deixamos aqui a versão de Joey Ramone:  



8. ‘Ain’t no sunshine’ (Bill Withers)

Assim nasceu:
Depois de nove anos na marinha e de trabalhar numa fábrica de autoclismos, Withers iniciou aos 32 anos, em 1972, com estes dois minutos de desolação que lhe inspiraram a visão do filme Dias de vinho e rosas (com Jack Lemmon fazendo de alcoólico). Booker T. Jones era o produtor, Stephen Stills tocava a guitarra. Mas Ain’t não sunshine apareceu inicialmente no lado B de Harlem, uma canção que hoje quase ninguém se lembra. Os DJ encarregaram-se de emendar o erro.  

As melhores interpretações:
Poucos meses depois da original,
Michael Jackson levou-a às listas de sucesso quando ainda era jovem, negro e brilhante. Ain’t no sunshine passou também por outras mãos bem hábeis, desde Prince a Tom Jones, Paul McCartney ou Sting.  

Versões insólitas:
Com essa facilidade do hip-hop para fagocitar tudo, o raper DMX assaltou as ruas em 2001 com uma versão do do original que intitulou, singelamente, No sunshine. Nada a ver com a visão bucólica que o comboy Kenny Rogers propunha um par de décadas antes.  

Deixamos a surpreendente versão do raper DMX.  



9. ‘Me and Bobby McGee’ (Kris Kristofferson)

Assim nasceu:
O galã Kris Kristofferson – que, entre as suas múltiplas conquistas, também andava embrulhado com Janis Joplin – escreveu este tema em 1970 a partir do nome de uma secretária, Bobbi McKee, que trabalhava nos escritórios do seu editorial. Tratava-se de um relato libertador e romântico, uma tradução country do espírito de Jack Kerouac e o seu livro No caminho. Mas Bobby McGee não funcionou na sua primeira interpretação, a da estrela campestre Roger Miller, nem se destacou na que o próprio Kristofferson gravou no início da sua carreira discográfica, Kristofferson (1971). Até que chegou A Pérola…  

As melhores interpretações:
Janis Joplin fez história: o seu Me and Bobby McGee era o segundo número póstumo na história da música popular, depois de (Sittin’ on) the dock of the bay, de Otis Redding. O seu mérito radicava na conversão da selvagem, nómada e libérrima Bobby McGee num verdadeiro alter ego. Jerry Lee Lewis também chegou ao top 40 com este tema que conheceu outras aproximações distintas (Johnny Cash, Chet Atkins, Waylon Jennings). Mas nada comparável à vulcânica fúria blues-rock da pobre Janis Joplin.  

Versões insólitas:
Sete anos antes de agitar os quadris ao mundo como o par de dança oficial de Travolta, uma quase inexperiente Olivia Newton-John tentava fazer ouvir-se como baladista romântica e sentimental. Ela encarnou uma Bobby McGee bem mais recatada para o disco If not for you, no que também se incluíam temas de The Band ou Gordon Lightfoot. A descobrir…  

Deixamos a interpretação de Olivia Newton-John. É um caso de amar ou odiar.  



10. ‘Killing me softly with his song’ (Lieberman / Gimble / Fox)

Assim nasceu:
Depois de escutar Dom McLean no teatro Troubadour de Los Angeles, a cantora Lori Lieberman sentiu-se fascinada e começou a escrever um poema intitulado Matando-me suavemente com essa canção. Da música ficaria encarregada uma equipa de créditos reconhecidos, Norm Gimble e Charles Fox, os mesmos de Oh, happy day. Lieberman estreou o tema num disco de 1971 que muitos poucos pais guardarão nas suas discotecas. Mas Roberta Flack descobriu a música que tocou no avião, voando de Los Angeles para Nova Iorque, e decidiu pôr mãos à obra. Era 1973.  

As melhores interpretações:
A “versão universal” de Roberta Flack ocupou três meses de intenso trabalho de estúdio. O esforço ver-se-ia recompensado com três Grammys. Quase ao mesmo tempo, o requintado Johnny Mathis intitulava o seu novo disco Killing me softly with her song, com a mudança de género (his, masculino por her, feminino) pertinente para evitar suspeitas. A obra reviveu os seus melhores dias em 1996: número um britânico e americano graças ao hip-hop ligeiro dos Fugees de Lauryn Hill.  

Versões insólitas:
Como o título, na verdade, pode dar um grande empurrão ao sucesso, o original de Lieberman, Fox e Gimble conheceu adaptações mais ou menos pitorescas em espanhol (Me matando suavemente, dos inenarráveis Los Toros Band e a recente versão pseudoflamenca de Pitingo) ou em alemão, com o grupo Meine Grössten Erfolge e o seu Das lied meines lebens. Mas nada mais irritante, sem dúvida, que ouvir a canção à mamã vegetariana e o filho presunçoso que protagonizavam com Hugh Grant o filme Era uma vez um pai (2002), sobre a novela do nosso mais musiqueiro novelista, Nick Hornby.  

Aqui está a "aflamencada" adaptação de Pitingo:    



O site Rolling Stone realizou esta lista das canções com mais versões cruzando os dados de diversas fontes, como o Livro Guinness dos Recordes, a web All Music Guide e a base universal de canções ISWC, um registo equivalente ao ISBN que figura em todos os livros editados em qualquer recanto do mundo. Preferiu-se suprimir alguns títulos com muitas versões que encaixavam pior na consideração de música pop, como o "villancico" White Christmas. Em qualquer caso, este top 10 tem mais vocação recreativa que científica.




Tradução JURIS - Artigo original

Criado em: 06/10/2011 • 14:49
Actualizado em: 06/10/2011 • 15:09
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO II


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