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ARTIGOS DE FUNDO - O síndrome de Wendy

O síndrome de Wendy
Um transtorno baseado na necessidade de satisfazer o próximo

María Rodríguez
Fevereiro, 2006


Quem é Wendy?

Wendy é aquela figura, feminina ou masculina, que se encontra por trás de um Peter Pan.

É que, como relata o psicólogo clínico Ángel Marín Tejero, “por trás de um Peter Pan tem que haver sempre uma pessoa, homem ou mulher, dependendo do caso, que se encarregue de fazer tudo aquilo que ele não faz.

Peter Pan não existe se não houver uma Wendy que o ature”. Apesar disso, o psicólogo Marín Tejero assegura que não é possível falar de Síndrome de Wendy como uma patologia.

“Há transtornos da personalidade que se poderiam assemelhar a este síndrome, mas este síndrome como tal não é uma patologia clínica, o que não quer dizer que com o tempo não acabe por produzir desajustes e sofrimento, tanto na pessoa que o sofre como nos que a rodeiam”.


O Síndrome de Wendy pode definir-se como o conjunto de condutas que levam uma pessoa a actuar por medo à rejeição, por necessidade de se sentir aceite e apoiada, e por receio que ninguém a queira. Em suma, por uma necessidade imperiosa de segurança.

“Quando o sujeito actua como pai ou mãe no casal ou com as pessoas mais próximas, libertando-as de responsabilidades, podemos falar de Wendy”, explica a psicóloga Pilar Arocas, que acrescenta que “estas condutas podem dar-se tanto dentro do núcleo familiar, nos papeis de pai-mãe superprotectores, como nas relações interpessoais, com aquelas pessoas mais próximas”.

A mãe que acorda todos os dias o seu filho para que não chegue tarde às aulas, aquela que lhe faz os deveres, lhe resume as lições ou sublinha os apontamentos, a esposa que assume todas as responsabilidades domésticas… é uma Wendy no núcleo familiar.

O mesmo acontece na relação do casal se é ela ou ele quem toma todas as decisões e assume as responsabilidades, actua como mãe ou pai e como esposa-marido ou justifica a informalidade do seu casamento perante os outros.

Os comportamentos mais significativos de uma pessoa que sofre deste síndrome, são os seguintes:

* Sentir-se imprescindível
* Entender que o amor é sacrifício e resignação
* Evitar a todo custo que alguém se aborreça
* Tentar continuamente fazer feliz o casal
* Insistir em fazer as coisas pela outra pessoa
* Pedir desculpa por tudo aquilo que não tem feito ou que não tem sabido fazer
* Necessidade imperiosa de cuidar dos outros
* Converter-se no progenitor ou progenitora no casal

Os psicólogos aqui consultados esclarecem que num dado momento da vida todas as pessoas podem actuar desta forma. Portanto, “para falar de um verdadeiro Síndrome de Wendy seria preciso levar em linha de conta que todas estas acções se baseiam nesse medo de abandono e são constantes no tempo”, explica a doutora Arocas.


Origem do transtorno

Actualmente não existem estudos epidemiológicos que forneçam dados fiáveis sobre a percentagem da população que pode sofrer deste síndrome.

Não obstante, estabeleceram-se as diferentes variáveis que podem desencadear o seu aparecimento. “Antes de mais há que levar em conta que tanto homens como mulheres podem ser afectados, apesar de ser mais frequente nelas”, comenta Ángel Marín Tejero.

Afirmação que corrobora a psicóloga Pilar Arocas, que acrescenta que “esta diferença entre os sexos pode dever-se, entre outras coisas, à cultura onde estamos inseridos.

Queiramos ou não, ainda continua a ser a figura da mulher quem tem mais peso na função de cuidar os membros da família e essas ideias que nos transmitem no processo educativo têm a sua resposta na vida adulta”.

O Síndrome de Wendy não depende de um só factor, mas de um conjunto de variáveis, entre as quais se destacam a educação recebida, a personalidade e as circunstâncias que rodeiam a pessoa.

Não obstante, a doutora Arocas reconhece que nenhuma destas variáveis separadamente seria a responsável do seu aparecimento. “Por exemplo, a educação recebida não determina necessariamente este tipo de condutas.

Em algumas ocasiões, ter uma mãe ou um pai superprotector pode criar nos seus filhos ou filhas um grande desejo de independência. Sendo certo que também há ocasiões em que se perpetuam os padrões de conduta adquiridos e vistos durante a infância e adolescência, continuando o exemplo dos superiores”, sublinha.

Trata-se de um síndrome da nova sociedade? “Categoricamente, não. O que acontece é que há anos que não se discutia este assunto. As coisas eram assim, e estavam bem assim”, assegura o doutor Marín Tejero.

“Agora a mulher sai de casa para trabalhar e tem consciência de que existem mais coisas para além do lar. Encarrega-se de novos papéis, sem abandonar os antigos, farta-se de responsabilidades e nem admite que poderia negociar com o parceiro a sua nova situação, acabando por sentir-se mal e não identificando exactamente o que aconteceu.

Algumas mulheres pedem ajuda profissional, mas muitas sofrem em silêncio sem saber o que fazer”, acrescenta o psicoterapeuta. Trata-se, segundo os especialistas, de uma mudança nos papéis que custa a assumir tanto ao homem como à mulher.

O que também não é simples, é a sua detecção. A maioria das mulheres e dos homens vão à consulta do especialista porque se sentem ‘queimadas' e ‘queimados', não estão felizes com a sua vida e sentem uma insatisfação total nas suas relações conjugais.

Só através das sessões de terapia vão descobrindo a razão desse mal estar. Uma sensação que também afecta aquelas mães que vêem que os seus filhos não querem crescer e evitam responsabilizá-los de acordo com a sua idade.

“É por isso que este síndrome de Wendy se relaciona com o de Peter Pan, pois é frequente que mães ‘Wendy' gerem filhos ‘Peter'”, esclarece Pilar Arocas.

No entanto, não existe uma idade definida para o seu aparecimento, ainda que seja nos últimos anos da adolescência, quando estão já formadas as características da personalidade, que se podem observar os primeiros sinais indicadores que a pessoa possa vir a sofrer desse síndrome num dado momento do seu desenvolvimento evolutivo.


Como ultrapassá-lo

Em muitas ocasiões são os próprios que procuram, por vontade própria, uma consulta do psicólogo, “mesmo que não estejam conscientes do que se passa com eles.

Não são capazes de compreender o que lhes está a acontecer”, assegura Ángel Marín Tejero. Para quem sofre deste problema, a sua forma de actuar é uma necessidade e não acham que estão a fazer nada de errado, a sua atitude é simplesmente para satisfazer as necessidades de afecto, pertinência e segurança.

Ultrapassar o problema requer uma elevada capacidade pessoal e o reconhecimento de que as suas condutas são desajustadas. “Devem reconhecer os seus próprios medos e partir daí para aprender a ter o seu próprio lugar. Transigir mas com cautela, ser flexível, tolerar o próximo, mas sem aceitar tudo o que lhe digam”, explica a psicóloga Arocas.

Trata-se, definitivamente, de:

* Estabelecer relações equitativas com as pessoas: escutar de forma activa os problemas dos outros, mas sem se sentir obrigado a resolvê-los.
* Aumentar a auto-estima pessoal.
* Acostumar-se a dizer NÃO.
* Aprender a amadurecer, a pensar que cada um é responsável pela sua vida.
* Não assumir os deveres e responsabilidades do outro.
* Ser consciente que as mudanças de hábitos são lentas, não se produzem da noite para o dia.

Estas medidas servem para prevenir e ultrapassar este problema. A conduta de qualquer ‘Wendy' está baseada no medo à rejeição pessoal, no complexo de inferioridade e o impulso por agradar a todos.

Portanto, se no processo educativo se incute às pessoas condutas assertivas - aquelas que defendem os próprios direitos, sem agredir os outros e sem se deixar submeter -, se ensina a desenvolver uma sã auto-estima, a apreender a estar em sociedade de forma a que as relações sociais sejam motivo de satisfação e gratificação, as pessoas estarão melhor preparadas para evitar o sofrimento que esta síndrome pode trazer com o tempo.



Criado em: 11/02/2006 • 15:31
Actualizado em: 11/02/2006 • 15:39
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO


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Comentários


Comentário n°2 

cristiane 11/02/2010 • 20:48

Eu sofro desse problema e tenho me esforçado muito para mudar minhas atitudes diante os outros. Praticado o não embora ainda fique me sentindo mal por isso, as vezes fico dias pensando nos problemas alheios que me neguei a resolver me sentindo culpada como se tudo fosse minha obrigação, mas o problema maior é meu companheiro que nega-se a assumir responsabilidades me sobrecarregando, no momento sinto que nunca tenho com quem contar pois as mesmas pessoas que tentam me passar suas responsabilidades sempre caem fora quando eu preciso de auxilio.`São relaçoes de um lado só. Enfim quero dicas para forçar meu companheiro a assumir responsabilidades, pois estou achando que o único jeito é terminar a relação e começar de novo. Aguardo resposta. Já conversei muito deixando claro como me sinto e como isso tem me feito mal, mas ele sempre dá um jeito de me empurrar seus problemas e continuar as minhas custas e eu não quero mas esse tipo de situação.

Comentário n°1 

RodrigoAfonso 28/07/2006 • 00:57

O pensamento traz por si a manifestação do ser mental que nos faz exprimentar sensações optimas

O ego do homem é contudo ameaçado por tentativas comuns de errar por causa da sua natureza biologica

Mas aprende com o meio ambiente a lidar com os problemas da sua natureza social

O Homem é comum ele pode ser livre

Errado é aprender para nada

Certo é saber compreender e saber o que fazemos


  Prometem em poesia. Governam em prosa.  Mario Cuomo
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