Menu
Qui Quae Quod

Fechar Responsabilidade Social Corporativa

Fechar ARTIGOS DE OPINIÃO

Fechar Justiça Restaurativa

Fechar Multiculturalismo

Fechar Dossier Europa

Fechar ARTIGOS DE FUNDO

Fechar ARTIGOS DE FUNDO II

Fechar ARTIGOS DE FUNDO III

Fechar TENDÊNCIAS 21

Fechar CIBERDIREITOS

Fechar No gesto da procura

Fechar Os erros do ditado

Fechar Para ler e deitar fora

Fechar O canto dos prosadores

Fechar UTILITÁRIOS

Fechar Apresentações

Fechar Barra JURIS

Fechar CANCIONEIRO de Castelões

Fechar Coisas e loisas da língua portuguesa

Fechar DIVULGAÇÃO DE LIVROS

Fechar Delitos Informáticos

Fechar Encontros

Fechar JURISPRUDÊNCIA

Fechar Livros Maravilhosos

Fechar MANUAL DE REQUERIMENTOS

Fechar NeoFronteras

Fechar Nova Lei das Rendas

Fechar O canto dos poetas

Fechar Vinho do Porto

Fechar Workshops

Relax
Pesquisar



Visitas

   visitantes

   visitantes online

PREFERÊNCIAS

Voltar a ligar
---

Nome

Password


SOS Virus

Computador lento?
Suspeita de vírus?
Fora com eles!
AdwCleaner

tira teimas!
--Windows--

Já deu uma vista de olhos pelas gordas de hoje?


Desde 2004
news_artigo.gifARTIGOS DE FUNDO - A fé na ciência impede compreender o porquê do universo

Diz-se que a ciência é a forma mais fiável de conhecimento porque está baseada em hipóteses comprováveis, enquanto que a religião está baseada na fé, que dentro do contexto religioso se entende como uma virtude, explica o autor Paul Davies num artigo publicado no The New York Times.

Davies é um físico reputado, escritor e locutor britânico que actualmente dirige o Centro Beyond for Fundamental Concepts in Science, da Universidade do Estado do Arizona, tendo publicado ao longo dos anos uma vintena de livros de divulgação científica, como “Deus e a nova física" (1984), no qual se analisava o papel da religião na sociedade, entre outros temas.

No artigo publicado pelo New York Times, Davies analisa a evidente separação conceptual entre ciência e religião, assim como a razão pela qual a ciência está a desaguar nas mesmas perguntas a que a religião tenta responder.

Realmente, a ciência tem a sua fé, afirma Davies: nenhum cientista poderia sê-lo se não acreditasse de antemão que o seu objecto de estudo – o universo em qualquer das suas vertentes - não responde a uma elegante ordem matemática. Esta fé, assinala, foi justificada até à data pelos resultados das análises.

Perguntas mais profundas

A expressão mais refinada, assegura, de uma inteligibilidade racional no cosmos pode encontrar-se nas leis da física, que são as regras fundamentais com as quais funciona a Natureza. Existe, no entanto, uma pergunta mais profunda: de onde procedem as ditas leis? E por que são como são?

Segundo Davies, os físicos dedicaram-se a descrever fenómenos como o electromagnetismo ou a gravidade sem tratar de indagar a sua origem. Dava-se por adquirido que existiam e que, para ser científico, se devia ter fé num universo governado por leis matemáticas imutáveis, absolutas e universais, mesmo que sem uma origem específica.

Ao longo dos anos, Davies assegura ter perguntado aos seus colegas físicos porque é que as leis da física são as que são, ao que eles lhe responderam que essa não é uma questão científica e que “não existe uma razão pela que são o que são, simplesmente são”, resposta que para Davies parece profundamente anti-racional.

O físico questiona-se portanto se o poderoso edifício da ordem da física com o qual percebemos o mundo, pode estar, em última análise, baseado num absurdo injustificado. E, se o estivesse, pergunta, seria a Natureza capaz de transformar o sem sentido e o absurdo numa ordem engenhosa?

Mudança na mentalidade científica

Segundo Davies, as inclinações científicas actuais estão a mudar consideravelmente e o questionar a origem das leis que regem a Natureza começa a ter redobrado interesse. Parte do aumento deste interesse está no facto de que cada vez mais se aceita que a emergência da vida no universo depende sensivelmente da forma dessas mesmas leis.

Outra razão encontra-se no começar a compreender que as leis da física, que durante longo tempo pareceram universais e absolutas, não são tão fundamentais como se acreditava, mas funcionam melhor contextualmente: podem variar a uma escala mega cósmica. Segundo explica Davies, a visão a partir de uma perspectiva de Deus revelaria uma vasta extensão de universos, cada um deles com o seu particular conjunto de leis físicas.

Viveríamos portanto em um “multiverso”, no qual a vida apareceria só naqueles pontos onde  as leis físicas lhes fossem favoráveis. A teoria do multiverso é cada vez mais popular, mas também não resolve a questão da qual estamos a falar: a origem das leis físicas.

Ciência e religião estão fundadas na fé

Claramente, portanto, assinala Davies, tanto a religião como a ciência estão fundadas na fé, particularmente, na crença que existe algo “fora” do universo – seja Deus ou um conjunto de leis físicas de origem inexplicável - que o ordena. Mas ambas as interpretações da realidade falham, segundo Davies, ao tentar encontrar uma explicação completa da origem da existência física.

Esta carência partilhada não é uma surpresa, dado que a própria noção da lei física é teológica em primeira instância, facto que faz com que muitos cientistas se retorçam. Isaac Newton foi o primeiro que pegou na ideia de um conjunto de leis imutáveis da doutrina cristã, que defende que Deus criou o mundo e o ordenou de maneira racional.

Os cristãos concebem Deus como fundamento da ordem natural, procedente de além do universo e os físicos imaginam as suas leis habitando um reino abstracto transcendente onde existem relações matemáticas perfeitas.

Os cristãos acreditam, além disso, que o mundo depende de Deus para a sua existência, enquanto os físicos declaram que o universo está governado por leis eternas, que em nada são afectadas aconteça o que acontecer no universo.

Procurar um porquê nas próprias leis da física

Na opinião de Davies não haverá esperança de se poder explicar por que razão o universo físico é como é enquanto nos centrarmos em leis imutáveis ou na imposição da divina providência. A alternativa que o físico propõe é entender as leis da física e o universo que estas governam como parte de uma parcela de um sistema unitário e incorporá-lo todo num esquema explicativo comum.

Por outras palavras, afirma, as próprias leis poderiam contribuir para a explicação a partir do interior do universo, sem necessidade de apelar a um agente externo de criação. Os detalhes específicos desta explicação serão matéria de pesquisa do futuro.

Mas, termina o físico, até que a ciência não consiga uma teoria comprovável das próprias leis do universo, afirmar que a própria ciência é uma forma de conhecimento alheia à fé é uma falsidade evidente.

Olga Castro-Perea



Criado em: 11/12/2007 • 09:46
Actualizado em: 11/12/2007 • 09:46
Categoria : ARTIGOS DE FUNDO


Imprimir Imprimir

Comentários


Comentário n°2 

Fisico 14/02/2010 • 22:48

Excelente artigo, sou físico e, gostei muito!

Vejam por favor o meu blog:

http://a-minha-visao-da-ciencia.blogspot.com/

Muito obrigado:

Comentário n°1 

paulino sa 12/04/2008 • 16:35

A fé não é propiamente só uma virtude, mas sim algo em que nós acreditamos.

Por isso a fé depende de cada um, uns têm mais outros menos, para isso necessitamos de a cultivar para que possamos ter cada vez mais fé.

A fé passa também por acreditar-mos. 

Eu não posso ter fé se não acredito, se não confio, e se não a vivo. 


  A medida do amor é amar sem medida  
^ Topo ^